Brasília (DF) – O último dia para a entrega da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) marcou também um feito inédito para a Receita Federal: um volume recorde de R$ 16 bilhões em restituições, aguardando o bolso de aproximadamente 8,7 milhões de contribuintes.
No mesmo dia, o percentual de declarações elaboradas a partir do modelo pré-preenchido atingiu 59,8% do total. Um salto considerável se comparado aos 50,3% registrados no encerramento do prazo no ano anterior.
“Estamos cada vez mais perto da meta definida pelo ministro da Fazenda, Dario Dorigan, de alcançar uma declaração totalmente pré-preenchida, onde o contribuinte apenas confirmará os dados já apresentados pela Receita. É uma conquista iminente”, declarou Robinson Barreirinhas, secretário do órgão, em coletiva nesta sexta-feira.
A expectativa da Receita é que o sistema receba perto de 44 milhões de declarações até o apagar das luzes desta sexta-feira, ultrapassando ligeiramente as 43,3 milhões entregues dentro do prazo legal no ano passado.
“A projeção é que esse número, próximo a 44 milhões de contribuintes, confirme a totalidade das declarações de Imposto de Renda”, complementou Barreirinhas.
Atenção na malha fina
Em paralelo aos números positivos de entrega e restituição, o percentual de declarações que caíram na malha fina apresentou um leve aumento. Foram 4,97% no exercício deste ano, contra 4,68% no período anterior, segundo dados consolidados no último dia do prazo legal.
José Carlos Fonseca, supervisor Nacional do IRPF, atribui essa elevação à transição para o novo sistema de declaração para empresas. Em 2025, muitas companhias precisaram migrar do uso da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf) para o eSocial.
“Houve críticas na época, o fim da Dirf foi um desafio. Percebemos, com essa mudança, que as informações provenientes do eSocial nem sempre chegavam com total precisão. Algumas empresas apresentaram dados incorretos, errando na classificação das verbas salariais”, explicou Fonseca.
Ele assegura, contudo, que a maioria das inconsistências reportadas pelas empresas via eSocial já foi corrigida até esta sexta-feira. “Ainda há empresas em processo de retificação, o que é esperado e pode levar anos para algumas, dentro da legalidade. O importante é que houve um avanço significativo, impactando diretamente a malha fina”, disse.
Para os contribuintes que se encontram nessa situação, mas que preencheram a declaração com base em seus comprovantes, a orientação é aguardar pacientemente. “Se a declaração foi feita corretamente, alinhada aos seus comprovantes de rendimentos, e o contribuinte está em malha devido a alguma divergência, não há necessidade de ação imediata. As empresas responsáveis devem estar retificando seus dados. Com a correção, a sua declaração será reavaliada automaticamente e sairá da malha”, tranquilizou Fonseca.








