Brasília (DF) – O Supremo Tribunal Federal veio a público nesta quarta-feira, dia 28, para desmentir boatos que ganharam força ao longo do dia sobre uma suposta operação de busca e apreensão da Polícia Federal contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em nota oficial, a Corte foi categórica ao afirmar que não emitiu qualquer decisão judicial que autorize diligências dessa natureza em endereços vinculados ao parlamentar. Segundo o órgão, a informação que circulou na imprensa, sugerindo a presença de policiais na mansão do senador no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, é inteiramente falsa.
O esclarecimento ocorre em um momento de alta tensão política, apenas dois dias após a derrota eleitoral do grupo ligado ao senador. O parlamentar, conforme relatos confirmados, deixou o território nacional em direção aos Estados Unidos após embarcar em um jatinho particular, tendo cruzado a fronteira por via terrestre anteriormente. A movimentação ganhou contornos dramáticos devido a uma determinação anterior do ministro Alexandre de Moraes, que havia proibido o senador de deixar o país e ordenado a entrega de seus documentos de viagem, incluindo o passaporte diplomático e o comum.
A ordem de apreensão dos passaportes foi fundamentada em alertas da Polícia Federal sobre o risco iminente de fuga logo após o término da apuração das urnas. No dia 27, o próprio Flávio Bolsonaro chegou a gravar um vídeo, publicado em suas redes sociais, confirmando ter sido abordado por agentes federais ao sair da casa de seu pai, Jair Bolsonaro. Na ocasião, o senador declarou que acataria a decisão judicial e negou qualquer intenção de evadir-se do território brasileiro, assegurando que permaneceria no país para responder aos processos aos quais é alvo no Supremo.
Apesar da ausência de novas ordens de busca, Flávio Bolsonaro segue no foco de inquéritos ativos no STF. Em um dos processos, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, o senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, em um caso que também envolve o advogado Willer Tomaz, que teria viajado aos Estados Unidos antes mesmo do pleito eleitoral.
Além disso, o parlamentar é alvo de apurações sob relatoria do ministro André Mendonça, relacionadas ao Banco Master. O inquérito investiga a solicitação de aproximadamente R$ 134 milhões feita por Flávio ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O montante teria como objetivo financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre o ex-presidente. O pedido foi revelado por meio de mensagens e um áudio encontrados pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Embora tenha admitido a autoria das comunicações, o senador nega qualquer prática ilegal, argumentando que a tentativa de captação seguia os trâmites de recursos privados.













