Paracambi (RJ) – O cenário logístico entre as duas maiores metrópoles do país mudou um pouco nesta terça-feira, 23. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Paracambi, no Rio de Janeiro, para marcar a inauguração da primeira fase das obras na Serra das Araras. O trecho, que agora entra em operação, contempla quatro quilômetros da nova pista de subida, voltada para quem segue em direção a São Paulo.
A intervenção integra o pacote de modernização da Rodovia Presidente Dutra. O volume de tráfego na região é intenso e exige atenção: cerca de 390 mil veículos circulam mensalmente por ali, sendo que mais de um terço dessa frota é composta por caminhões de carga. A expectativa com a nova pista é reduzir gargalos e garantir um deslocamento mais seguro em um dos pontos mais críticos do corredor viário.
O financiamento dessa transformação passa pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES. Ao discursar sobre o papel da instituição no fomento a projetos de infraestrutura, o presidente defendeu a atuação do banco no crédito para obras estratégicas. Lula frisou que o foco está em financiar projetos sólidos, mencionando o histórico de adimplência das empresas que recorrem ao banco estatal para tocar os empreendimentos necessários ao desenvolvimento do Brasil.
O montante total destinado à modernização da Serra das Araras é de R$ 1,5 bilhão. No entanto, o projeto de melhorias é muito mais vasto. Ao considerar a totalidade da concessão, que abrange 626 quilômetros, o apoio financeiro do BNDES alcança a casa dos R$ 10,7 bilhões.
O impacto econômico imediato vai além do asfalto novo. Atualmente, o canteiro de obras da Dutra é responsável pela geração de 5 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos, injetando fôlego na economia da região. Para quem utiliza a rodovia diariamente, a notícia é positiva, mas exige paciência. O cronograma aponta que 70% do projeto global já foi executado, com a conclusão definitiva de todos os trabalhos prevista apenas para 2027.
A subida da Serra das Araras sempre figurou como um dos maiores desafios para o escoamento da produção e para o fluxo de passageiros entre Rio e São Paulo. Com a entrega parcial desta semana, o governo tenta imprimir um ritmo de normalidade em uma obra que promete, ao fim do ciclo de investimentos, remodelar a capacidade de carga da principal artéria rodoviária que corta o sudeste brasileiro.










