Washington, Estados Unidos – O presidente da China, Xi Jinping, conclui nesta sexta-feira (25) sua agenda oficial em solo norte-americano. A viagem, que incluiu um jantar de Estado na Casa Branca ao lado de Donald Trump, deixa como principal saldo prático o prolongamento da trégua comercial entre as duas maiores potências globais. O prazo, que originalmente venceria em novembro, foi estendido por dois meses e agora se estende até janeiro de 2027.
Apesar do tom diplomático adotado durante uma cerimônia do chá e da visita conjunta aos Arquivos Nacionais — onde os mandatários observaram a Declaração de Independência e a Constituição dos Estados Unidos —, analistas apontam a falta de avanços substantivos. Os compromissos públicos foram marcados por forte carga simbólica, mas pouco se traduziram em medidas concretas sobre os impasses que travam a relação bilateral, especialmente em áreas sensíveis como inteligência artificial, comércio e direitos humanos.
Um dos pontos de maior tensão nas conversas privadas foi a questão de Taiwan. O governo chinês reiterou a exigência de que Washington mantenha uma postura de oposição à independência da ilha, tratando o tema com a prudência necessária para não abalar as bases da cooperação bilateral. Desde maio, a administração norte-americana mantém suspensa a venda de cerca de 14 bilhões de dólares em armamentos para a região, uma medida que Pequim monitora de perto.
A percepção de que a visita pouco entregou em termos de resultados práticos gerou críticas por parte de senadores democratas. O grupo argumenta que Trump não conseguiu extrair de Pequim as concessões esperadas para equilibrar a balança comercial e as preocupações de segurança nacional. O mal-estar político acompanha o cenário em Washington, onde a efetividade da aproximação diplomática é colocada sob suspeita pela oposição.
A agenda de eventos na capital americana foi encerrada com um jantar que reuniu executivos de gigantes da tecnologia, como Apple, Google e Nvidia, evidenciando o interesse de ambos os governos no setor. Mesmo sem uma resolução definitiva, as partes já alinharam os próximos passos: o diálogo deve ser retomado durante a Cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, marcada para novembro na China, e na Cúpula do G20, que ocorre nos Estados Unidos em dezembro.
Enquanto Xi Jinping prepara seu retorno a Pequim, a diplomacia chinesa mantém o foco na agenda internacional. Está previsto para este sábado um pronunciamento do vice-presidente chinês, Han Zheng, durante o debate da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. A expectativa é que o representante de Pequim aborde a renovação da autoridade da ONU, a promoção do multilateralismo e os temas que ocupam o centro das discussões geopolíticas globais.






