Venda Nova do Imigrante (ES) – A terra voltou a tremer na Venezuela nesta sexta-feira (26), elevando o nível de alerta e o medo em uma população que ainda tenta assimilar a tragédia de dois dias atrás. O novo abalo sísmico, que atingiu magnitude 4,9 na costa norte do país, ocorreu na tarde de hoje e foi sentido de forma nítida por moradores da capital, Caracas, e também de Maracay, a capital do estado de Aragua. Embora com intensidade menor que os episódios anteriores, o evento geológico adiciona instabilidade a uma infraestrutura já severamente castigada e mantém os moradores em estado de vigilância constante.
Este novo susto acontece apenas 48 horas após os violentos terremotos de quarta-feira (24), que devastaram a região a cerca de 160 quilômetros a oeste de Caracas. Aqueles tremores, que alcançaram marcas severas de 7,2 e 7,5 na escala de magnitude, deixaram um rastro de destruição catastrófico. O balanço preliminar aponta para quase mil mortes confirmadas e o desabamento em massa de edifícios residenciais e comerciais. O governo local trabalha com estimativas dramáticas de que centenas de pessoas permaneçam sob as estruturas colapsadas, figurando na lista de desaparecidos.
O cenário nas áreas mais afetadas reflete a gravidade do desastre natural. Rodovias cruciais para o deslocamento e envio de insumos apresentam rachaduras profundas que dificultam o tráfego de veículos pesados de resgate. Onde antes funcionavam escritórios e moradias, hoje restam apenas pilhas confusas de concreto quebrado e vigas de metal retorcido. Diante da destruição generalizada e da dificuldade de orientação espacial em bairros completamente desfigurados, sobreviventes e equipes locais adotaram uma tática emergencial: pichar os nomes originais dos edifícios diretamente nos escombros, uma estratégia improvisada para guiar os socorristas que buscam sobreviventes no subsolo.
Apoio internacional reforça resgates nas áreas afetadas
O tempo é o principal adversário das equipes de resgate, que correm contra o relógio na tentativa de localizar sinais de vida sob as toneladas de entulho. Cada hora que passa reduz as chances de sobrevivência das pessoas presas nos bolsões de ar formados pelos desabamentos. Nesse contexto de urgência humanitária, a cooperação externa começa a se materializar no terreno. Uma comitiva de ajuda humanitária enviada pelo Brasil tem previsão de desembarcar no território venezuelano ainda na noite desta sexta-feira, trazendo suporte técnico e material para as operações de busca.
A delegação brasileira que se desloca para a Venezuela é composta por 44 especialistas de diferentes áreas de atuação em desastres. Junto com o pessoal técnico, estão sendo transportadas 12 toneladas de equipamentos especializados, fundamentais para a remoção segura de escombros pesados e para o atendimento emergencial de vítimas. A chegada desse contingente técnico visa somar forças aos socorristas locais e internacionais que trabalham sem descanso para tentar reverter, ainda que minimamente, o quadro desolador que se instalou no país vizinho após uma das piores semanas de sua história recente.






