Lima, Peru – O cenário político peruano tem um novo desfecho. Com 99,9% das urnas apuradas, Keiko Fujimori, representante do Fuerza Popular, assegurou a vitória na corrida presidencial. A contagem, que se arrastou por 17 dias de tensão, confere à candidata 9.206.241 votos, totalizando 50,11% da preferência nacional. Seu oponente, Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú, encerra a disputa com 9.162.855 votos, o equivalente a 49,88%.
A confirmação do resultado chegou na madrugada desta quarta-feira (24), por volta das 2h. Mesmo com um resquício de 40 mil votos ainda pendentes de processamento, o volume é insuficiente para reverter a vantagem consolidada de Fujimori. A trajetória até aqui foi marcada pelo ritmo lento das cédulas de papel e por uma oscilação constante: os dois nomes chegaram a empatar tecnicamente, com Sánchez liderando por breves períodos antes de ser superado na reta final.
A transição de poder promete turbulências. Antes mesmo da totalização final, na última terça-feira (23), Sánchez anunciou que não reconheceria o veredito das urnas. O candidato da esquerda denunciou supostas manobras irregulares no processo e solicitou, via judicial, a anulação de votos computados no exterior. A tensão jurídica paira sobre o anúncio de sua eleição.
Keiko assume o cargo sob o peso de um histórico familiar complexo. Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que ocupou o poder entre 1990 e 2000, ela alcança o posto após três tentativas frustradas em eleições anteriores. Sua vitória marca um precedente histórico no Peru: é a primeira vez que uma mulher chega à presidência através do voto direto das urnas.
A longevidade desta gestão, contudo, é uma incógnita em um país que atravessa uma crise de representatividade sem precedentes. Keiko entra para o Palácio do Governo como a nona presidente peruana a assumir o comando em apenas uma década, herdando um clima de desconfiança e uma nação profundamente dividida.





