Paris, França – O cenário de tensão escolar na França ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, 13 de dezembro, com a presença de Greta Thunberg em um colégio de Saint-Denis, subúrbio ao norte de Paris. A ativista sueca juntou-se a estudantes que ocupam os arredores do Lycée Paul Eluard, um dos pontos onde as mobilizações ganharam fôlego, para manifestar solidariedade contra o que classificam como negligência governamental no sistema de ensino público.
O movimento, que entra agora em seu quarto mês de atividades constantes, reflete um descontentamento profundo com as condições estruturais das unidades educacionais. Alunos de diversas regiões têm organizado bloqueios, marchas e atos públicos para protestar contra a escassez de docentes, a superlotação crônica nas salas de aula e a degradação visível dos prédios escolares. As reivindicações, iniciadas localmente, transformaram-se em uma pauta nacional que desafia a agenda da gestão oficial.
Edouard Geffray, ministro da Educação, informou à Rádio França Internacional que o balanço do dia contabiliza cerca de 200 escolas com atividades suspensas. Segundo o governo, parte desses fechamentos foi uma medida preventiva de segurança, diante da previsão de que os trajetos das marchas estudantis coincidiriam com os endereços das instituições de ensino. O cotidiano nas cidades francesas tem sido marcado desde o amanhecer por grupos que ocupam entradas com megafones e faixas, sinalizando que a agenda de protestos não deve arrefecer.
Durante sua passagem por Saint-Denis, Thunberg traçou um paralelo entre a luta dos jovens franceses e os movimentos globais por justiça climática. Ela afirmou aos repórteres que os estudantes franceses merecem apoio internacional por reivindicarem direitos básicos e um futuro mais digno. A ativista também direcionou duras críticas à atuação das forças de segurança, classificando o uso de repressão como um sinal de que as autoridades estariam mais preocupadas em proteger o status quo do que em atender às demandas urgentes da juventude.
A atuação da polícia nas manifestações tornou-se um dos pontos mais sensíveis do debate público. Relatos indicam o uso frequente de gás lacrimogêneo e investidas contra manifestantes, resultando em milhares de detenções e centenas de feridos. O governo chegou a suspender, na última semana, o emprego de granadas de efeito moral, decisão tomada após um adolescente ter a mão decepada em meio aos confrontos.
O clima de instabilidade política na França, contudo, divide as percepções. Enquanto lideranças de esquerda repudiam a estratégia policial, o campo da extrema-direita, encabeçado por Marine Le Pen, do partido Reunião Nacional, condena a postura dos manifestantes. O discurso oposicionista foca nos danos ao patrimônio público e nos ferimentos sofridos por agentes de segurança, aproveitando o momento para intensificar a pressão sobre o governo.
Essa instabilidade ocorre a apenas seis meses das eleições presidenciais. O ambiente de crise, acentuado pelas ocupações estudantis, intensifica a polarização e lança uma sombra de incerteza sobre o pleito. Caso o cenário atual se mantenha, o país poderá enfrentar sua primeira transição de poder para um governo de extrema-direita desde o fim da Segunda Guerra Mundial, consolidando um momento político crítico para a França.













