Brasília (DF) – O risco de uma intervenção militar direta contra a ilha é visto como uma possibilidade concreta pelas autoridades de Havana. Victor Manuel Cairo Palomo, embaixador de Cuba no Brasil, afirmou que o governo e a população cubana estão em estado de preparação para repelir o que descreveu como uma agressão externa iminente. Segundo o diplomata, o país não pode ignorar as declarações públicas vindas de Washington que sugerem a intenção de tomar o controle do território caribenho.
Desde o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, a pressão sobre o governo de Miguel Díaz-Canel tem se intensificado. O cenário inclui um severo bloqueio energético que, durante três meses deste ano, impediu a chegada de qualquer carregamento de petróleo à ilha. Em março, o próprio Trump afirmou publicamente que teria a honra de tomar Cuba, reforçando o discurso em outubro ao declarar que o país seria o próximo alvo após as ações militares norte-americanas contra o Irã.
O sufocamento econômico é o pilar dessa nova ofensiva, que resultou na redução drástica de voos internacionais e na retirada de empresas estrangeiras de diversos setores, incluindo o turismo, principal fonte de renda cubana. A saída da operadora de cartões Visa é apontada como um exemplo desse isolamento forçado. Paralelamente, a Casa Branca classificou Cuba como uma ameaça extraordinária, sob a acusação de que a nação abrigaria adversários interessados em capturar informações sensíveis de segurança dos Estados Unidos.
Palomo rechaçou essas alegações, classificando-as como ridículas. O diplomata argumentou que é ilógico atribuir a um país pequeno e economicamente bloqueado a capacidade de desestabilizar a maior potência mundial. Para o embaixador, uma ofensiva militar norte-americana configuraria um ato de genocídio, dado o desequilíbrio de forças entre um poder nuclear e um país situado a apenas 90 milhas de distância da costa da Flórida.
Além das sanções comerciais, o embate ganhou contornos judiciais e políticos agressivos. O Departamento de Estado, sob a gestão de Marco Rubio, tem adotado medidas contra empresas de tecnologias sensíveis ligadas à ilha, enquanto a Justiça norte-americana emitiu, neste mês, uma ordem de prisão contra o ex-presidente Raúl Castro. Essas ações fazem parte de uma estratégia de longo prazo para desmantelar a hegemonia do Partido Comunista, que governa o país há mais de seis décadas.
Apesar da retórica beligerante de Washington, o embaixador cubano defende que o destino de Cuba deve ser traçado exclusivamente por seus habitantes. Ele ressaltou que, embora a nação enfrente desafios internos, o bloqueio imposto é o principal fator que impede o desenvolvimento do país. O diplomata ainda alertou que um conflito no Caribe teria consequências imprevisíveis para toda a região, podendo desencadear reações internas nos próprios Estados Unidos, onde reside uma numerosa comunidade cubana.













