La Guaira, Venezuela – O rastro de destruição deixado pelos terremotos na Venezuela escala para patamares críticos. Com um balanço que já contabiliza 2,6 mil mortos e 12,4 mil feridos, a maior angústia das autoridades recai sobre os 36 mil desaparecidos cujos paradeiros permanecem incertos sob os escombros. A estrutura urbana colapsada transforma a logística de socorro em uma operação de alta complexidade.
A situação hospitalar em La Guaira, Caracas e Miranda demanda intervenção urgente. A Organização Pan-Americana da Saúde detectou que todas as oito unidades de saúde da região necessitam de suporte imediato, sendo que três delas apresentam danos estruturais severos. O colapso do sistema reflete-se em cenas dramáticas: em um dos poucos hospitais remanescentes, cem pacientes dividem um espaço projetado para apenas oito leitos. A escassez de insumos básicos é gritante, com a água sendo transportada manualmente em recipientes, enquanto resíduos hospitalares se acumulam perigosamente nos corredores.
Delcy Rodriguez, presidenta interina, detalhou na última quinta-feira (2) a estratégia de acolhimento. Estão em operação 46 acampamentos organizados por núcleos familiares para abrigar a população desamparada. Apenas em La Guaira, o ponto de maior impacto, a administração montou 14 desses locais. Para o manejo dos corpos, o governo mantém um necrotério improvisado operando sob rígidos protocolos forenses, visando evitar o sepultamento de vítimas em valas comuns.
A resposta internacional é o que permite a continuidade das buscas. Ao todo, 33 nações mobilizaram brigadas de resgate, equipes médicas e 11 hospitais de campanha. O Brasil está entre os países que enviaram contingentes, incluindo militares do Corpo de Bombeiros, como o sargento Vinícius Expedito. A tecnologia também compõe o esforço: a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) disponibilizou medidores de radiofrequência, equipamento essencial para localizar sinais de aparelhos celulares enterrados nos escombros, como detalha Marcos Rodrigues.
A coordenação das operações sob a égide da Organização das Nações Unidas (ONU) conta com a expertise de engenheiros brasileiros. Ademar Lopes, representante da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração, lidera um dos grupos focados em engenharia de risco. O trabalho técnico consiste em avaliar a estabilidade das edificações sobreviventes para determinar quais podem ser recuperadas e quais devem ser demolidas, prevenindo novos acidentes em um ambiente ainda instável.






