Cariacica (ES) – O governo brasileiro mobilizou uma operação de assistência humanitária imediata para a Venezuela, país que enfrenta o caos após ser sacudido por dois terremotos na noite da última quarta-feira, dia 24. A iniciativa, confirmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem como foco principal a busca por sobreviventes em áreas destruídas pelos abalos sísmicos que atingiram a costa venezuelana.
Na manhã desta sexta-feira, dia 26, uma aeronave KC-390 da Força Aérea Brasileira decola do Aeroporto de Guarulhos com destino ao território vizinho. A bordo, um contingente de 36 bombeiros — vindos de São Paulo, Minas Gerais e Paraná — une esforços a quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e quatro especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações. O grupo leva consigo nove toneladas de equipamentos essenciais para operações de resgate urbano, material fundamental diante do cenário de escombros relatado após os tremores de magnitude 7,5 e 7,2.
A gravidade da situação foi discutida diretamente entre o governo brasileiro e a presidência encarregada da Venezuela, representada por Delcy Rodríguez. Em contato telefônico, Lula assegurou a solidariedade de Brasília e alinhou a logística do envio de recursos. A ajuda não se limitará ao esforço de busca: uma segunda aeronave está programada para partir neste sábado. O avião transportará a estrutura necessária para a montagem de um hospital de campanha, além de 100 purificadores de água alimentados por energia solar, medicamentos e itens voltados para cirurgias de emergência.
Os terremotos tiveram como epicentro a região litorânea de Morón, a cerca de 160 quilômetros de Caracas, no estado de La Guaira. O balanço oficial fornecido pelo presidente do Congresso Nacional, Jorge Rodríguez, contabiliza 188 mortes e mais de 1,5 mil hospitalizações. Contudo, o impacto real do desastre pode ser consideravelmente mais grave do que os números iniciais sugerem.
Grupos da sociedade civil, organizados em torno da plataforma Desaparecidos Terremoto Venezuela, estimam que mais de 40 mil pessoas estejam desaparecidas. A destruição em La Guaira, onde prédios e residências colapsaram, transformou a paisagem local e colocou o país em estado de urgência. Paralelamente às ações da presidência, o Ministério da Saúde brasileiro mantém contato constante com as autoridades venezuelanas para articular o envio contínuo de pessoal médico e insumos especializados.
A operação brasileira reflete a tentativa de mitigar uma crise humanitária que se expande a cada hora. Enquanto os socorristas brasileiros iniciam seu trabalho de campo, o governo federal sinaliza que continuará monitorando as necessidades no terreno, mantendo o compromisso de oferecer suporte técnico e material para o enfrentamento dos danos causados pela catástrofe.






