Milwaukee, Estados Unidos – O governo brasileiro e a gestão norte-americana selaram um compromisso nesta quarta-feira, 30 de setembro, para a criação de um grupo de trabalho focado exclusivamente na revisão de tarifas e outros entraves que impactam a balança comercial entre as duas nações. A decisão foi formalizada em Milwaukee, Wisconsin, durante a agenda de ministros do Comércio do G20, que reúne as maiores economias globais.
As tratativas foram conduzidas pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, em uma reunião presencial com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O objetivo central é estabelecer um canal de diálogo permanente que permita contornar as restrições que atualmente pesam sobre diversos setores produtivos nacionais.
A tensão comercial foi acentuada em julho, quando Washington impôs uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, fundamentada na Seção 301 da legislação dos Estados Unidos. Adicionalmente, o governo americano implementou tarifas que variam entre 10% e 12,5% sobre itens enquadrados em políticas de combate ao trabalho forçado, medidas que atingem parcelas específicas das exportações brasileiras.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o governo dos Estados Unidos ficou encarregado de formalizar, nas próximas semanas, um documento estruturado com a proposta de escopo das negociações. Esse material deverá detalhar tanto as questões tarifárias quanto os obstáculos não tarifários que serão submetidos à análise do novo grupo.
O empenho em formalizar essas conversas reflete um movimento de retomada na relação diplomática e econômica. O processo ganhou tração após o contato telefônico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 21 de agosto. A partir daquela conversa, os dois países iniciaram um ciclo de trocas, que incluiu uma reunião técnica virtual realizada em agosto, antes do encontro presencial que ocorreu agora em território americano.
O tom do encontro em Milwaukee foi classificado por integrantes da delegação brasileira como construtivo. Existe, por parte de ambos os lados, o reconhecimento de que é urgente remover as barreiras que emperram o fluxo bilateral, em um esforço voltado para ampliar as oportunidades de mercado e proteger os interesses das indústrias dos dois países. A partir de agora, o foco vira para a recepção do documento norte-americano, que definirá o cronograma e os temas que nortearão as futuras rodadas de entendimento.











