La Guaira, Venezuela – A pista do aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, foi o ponto de partida para mais uma etapa do esforço brasileiro de assistência ao país vizinho. No último domingo, dia 28, um quarto avião carregado de suprimentos e pessoal especializado decolou rumo à Venezuela, um território que ainda tenta compreender a dimensão da tragédia provocada por dois violentos terremotos consecutivos.
Desta vez, a prioridade máxima do envio é o suporte humano direto no terreno. A bordo da aeronave seguiram 35 bombeiros militares vindos das corporações de São Paulo e de Minas Gerais. O destino final do grupo é a cidade litorânea de La Guaira, apontada como o epicentro dos abalos sísmicos e a área que concentra os piores cenários de colapso estrutural. O papel desses profissionais será técnico e urgente: vasculhar escombros e tentar localizar sobreviventes em um cenário de extrema instabilidade.
O rastro do desastre em números
O cenário que os especialistas brasileiros vão encontrar ao desembarcar é desolador. Relatórios oficiais divulgados pelo governo venezuelano apontam que o total de vítimas fatais já alcançou a marca de 1.450 pessoas. Entre os mortos, há a confirmação de dois cidadãos brasileiros, segundo informações compartilhadas pelo Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty. O total de feridos resgatados até o momento ultrapassa a barreira dos 3 mil.
Mas as projeções locais indicam que a tragédia pode ser ainda maior. À medida que as equipes de salvamento conseguem abrir caminho por bairros isolados e sob as ruínas de prédios multifamiliares, a lista de pessoas desaparecidas continua sendo alimentada por famílias desesperadas. Cada hora que passa reduz a janela de sobrevivência sob as toneladas de concreto, tornando o trabalho dos cães farejadores e dos equipamentos térmicos levados pelos bombeiros fundamental para o sucesso das operações.
A força dos tremores na região
A crise humanitária foi desencadeada por dois abalos sucessivos de enorme magnitude, que atingiram 7,2 e 7,5 graus na escala Richter. A violência do fenômeno geológico não se limitou ao epicentro em La Guaira. Em Caracas, a capital do país, e em dezenas de municípios vizinhos, estruturas residenciais e comerciais simplesmente desmoronaram.
A situação de pânico é agravada pelas constantes réplicas. Desde o primeiro grande tremor, os sismógrafos registraram cerca de 20 novos tremores secundários, o que mantém a população em estado de alerta permanente e dificulta o trabalho de engenheiros e socorristas, que temem novos desabamentos de estruturas já comprometidas. A ajuda enviada pelo Brasil soma-se a uma rede de solidariedade internacional que corre contra o relógio para mitigar uma das piores catástrofes naturais recentes na América do Sul.








