Brasília (DF) – Uma nova dinâmica ecológica ocupa agora o coração do poder no Brasil. O Sesi Lab, instalado na Esplanada dos Ministérios, abriu as portas de seu mais recente projeto: o Cultiva Lab. O espaço não é apenas um jardim, mas um complexo de seis mil metros quadrados desenhado para reproduzir as condições originais de quatro biomas brasileiros: Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica e Caatinga.
O projeto abriga 340 plantas de 90 espécies distintas, todas sob monitoramento contínuo. A proposta vai além da conservação botânica, servindo como suporte para pesquisas, intervenções artísticas e, principalmente, uma nova frente no programa educativo do museu. A iniciativa, segundo Cândida Oliveira, gerente de Desenvolvimento Institucional da instituição, nasceu da busca por um eixo de sustentabilidade mais robusto. O objetivo é aproximar o público de discussões essenciais, como a preservação da biodiversidade e os pilares da segurança alimentar.
A arquitetura do local também altera o uso da área externa. Ao criar um novo ponto de convivência, a instituição projeta um fluxo estimado de mais de 200 mil visitantes anuais. A experiência, conforme planejado, distancia-se do modelo estático de visitação, permitindo que o público acompanhe a evolução de um sistema agroflorestal ativo em pleno centro urbano.
O cronograma de desenvolvimento do Cultiva Lab divide-se em quatro fases distintas. Após a conclusão do plantio inicial, o projeto entra na etapa de consolidação e montagem expográfica, prevista para o sexto mês. A partir do primeiro ano, o foco se volta para a diversificação biológica e a intensificação das atividades didáticas. A maturidade total do sistema marca a quarta e última fase, quando o projeto atinge sua estabilidade funcional.
O impacto social, contudo, é um dos indicadores mais aguardados. A expectativa é que, em um intervalo de dois anos, a produção agrícola do espaço atinja entre três e cinco toneladas de alimentos. Toda essa colheita será destinada à doação, atendendo a dez instituições sociais por ano. Com essa entrega, o Sesi Lab tenta redefinir o papel de um museu na capital federal, equilibrando tecnologia, ciência e o ciclo produtivo da terra.












