Santa Cruz de La Sierra, Bolívia – A Polícia Federal confirmou, nesta sexta-feira (19), a captura de um homem que estava foragido da Justiça brasileira. Ele foi localizado em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, em uma operação articulada entre investigadores federais e forças de segurança daquele país. O suspeito tornou-se figura conhecida após ser apontado como um dos envolvidos em um tiroteio na comunidade de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, em outubro de 2022.
O episódio aconteceu durante uma agenda de campanha do então candidato ao governo paulista, Tarcísio de Freitas. O caso, à época, gerou uma onda de especulações sobre a segurança de figuras públicas e a integridade do pleito eleitoral, que estava próximo de sua etapa final. Naquele tiroteio, uma pessoa de 27 anos acabou perdendo a vida.
A localização do foragido só foi possível após um trabalho de inteligência conduzido pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em São Paulo, a Ficco/SP. A equipe mapeou os passos do investigado até confirmar que ele estava escondido em território boliviano. Santa Cruz de La Sierra, a maior cidade da Bolívia, tem se tornado um ponto de atenção para autoridades brasileiras, dado o histórico de presença de integrantes de facções como o PCC na região.
Embora o episódio em Paraisópolis tenha ocorrido em um cenário de alta tensão política, as investigações conduzidas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo chegaram a uma conclusão diferente das suspeitas iniciais. Após a análise dos fatos, foi descartada qualquer intenção de um ataque planejado contra a campanha eleitoral. O confronto foi classificado como uma ocorrência criminal sem motivação política direta.
A Ficco/SP, responsável pela coordenação dessa captura, é um braço de integração que reúne diferentes esferas do poder público. O grupo é formado por agentes da Polícia Federal, membros da Secretaria Nacional de Políticas Penais, além da Secretaria da Administração Penitenciária e da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. O objetivo desse consórcio é justamente centralizar dados e inteligência para desarticular facções que, como se viu neste caso, tentam cruzar fronteiras para escapar da aplicação da lei.
Com a prisão formalizada pelas autoridades bolivianas, o trâmite agora deve seguir os protocolos de cooperação internacional para o recambiamento do suspeito ao solo brasileiro, onde ele deverá responder pelos crimes pendentes em sua ficha criminal.











