Brasília (DF) – O ministro Edson Fachin, presidente do STF, decidiu cancelar a sessão plenária que estava agendada para as 14h desta quarta-feira (9). A medida surge como uma tentativa de conter os efeitos de um conflito interno que atinge o tribunal, marcado por disputas recentes entre alas lideradas pelos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O encontro foi suspenso pouco depois de uma decisão do ministro Flávio Dino, que, nesta manhã, determinou a permanência de Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal, contrariando uma ordem dada no dia anterior por Mendonça, que havia afastado o delegado de suas funções.
Ao esvaziar a pauta de hoje, Fachin evita um confronto direto entre os magistrados no plenário, local onde deveriam retomar a discussão sobre as regras de contribuição social ao Funrural. O clima no Supremo deteriorou-se na última semana, quando Mendonça e Moraes protagonizaram embates públicos raros, envolvendo o vazamento de relatórios e pedidos cruzados de investigação. O cerne da tensão reside em documentos relacionados à Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Mendonça retirou o sigilo de dados da investigação, que apontam suposta proximidade entre Vorcaro e Moraes. O material inclui 52 mensagens em que o ex-banqueiro teria enviado a Moraes um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outros registros, Vorcaro teria buscado informações sobre possíveis mandados de prisão contra ele. Embora não existam evidências das respostas de Moraes, o ministro nega qualquer vínculo com o empresário e rebateu as acusações divulgando um documento, sem assinatura ou timbre oficial, que aponta um suposto uso direcionado da Polícia Federal por parte de Mendonça.
Neste cenário, Fachin atua como relator de um processo que avalia a regularidade dos relatórios produzidos pela PF envolvendo os dois magistrados. Ele ainda estuda se tomará uma decisão monocrática ou se levará o impasse para deliberação dos demais pares. Não está descartada a convocação de uma reunião reservada em seu gabinete, formato que já foi utilizado em fevereiro deste ano para dirimir conflitos envolvendo o caso Master e o ministro Dias Toffoli.
O agravamento da crise coloca à prova a unidade do tribunal. Enquanto a investigação de Fachin não avança, o silêncio e o cancelamento das sessões abertas funcionam como um breve intervalo na escalada de tensão que, nos últimos dias, transformou acusações de abuso de autoridade e improbidade administrativa no centro das atenções do Poder Judiciário.












