Brejetuba (ES) – A recente decisão de suspender o sigilo sobre as investigações que cercam o Banco Master trouxe à tona a extensão das relações comerciais planejadas entre a instituição financeira e a banca Barci de Moraes Sociedade de Advogados. Os documentos revelam previsões de atuação jurídica ampla e consultorias estratégicas em órgãos federais cruciais, estruturadas em acordos que somariam cifras milionárias.
O escritório de advocacia em questão tem em seu quadro societário Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, além de dois filhos do casal, Alexandre e Giuliana Barci de Moraes, que figuram entre os onze sócios da banca. As relações contratuais agora expostas envolvem diretamente empresas controladas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, alvo das apurações judiciais.
Dentre as peças que integram o inquérito, constam dois contratos distintos de prestação de serviços e honorários. O primeiro deles, formalizado em 16 de janeiro de 2024 com o Banco Master, estabelecia a representação em processos judiciais em todas as instâncias do Judiciário. Mais do que isso, a banca se encarregaria de estruturar e acompanhar programas de integridade, além de prestar assessoria estratégica em inquéritos policiais nas esferas civil e federal, e em processos no Banco Central, no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e na Receita Federal.
O segundo documento, datado de 12 de maio de 2025, envolve a Viking Participações, outra empresa de Daniel Vorcaro. Embora redigido em papel timbrado do escritório Barci de Moraes, este contrato não exibe assinaturas. O escopo do trabalho previsto repetia a fórmula de consultoria estratégica e atuação jurídica integral em todas as instâncias judiciais.
As cifras envolvidas chamam a atenção pela magnitude. Cada uma das propostas estipulava pagamentos mensais de R$ 3 milhões ao longo de um período de 36 meses. Se plenamente executados, os dois contratos renderiam individualmente R$ 108 milhões à banca, totalizando R$ 216 milhões em honorários previstos.
Em nota, a assessoria de imprensa da Barci de Moraes Sociedade de Advogados contestou a duplicidade de vínculos, afirmando que existia apenas um contrato com o Banco Master e negando qualquer substituição ou transferência de valores. De acordo com a banca, a proposta do banco não chegou a ser aceita, nenhum documento foi assinado e o acerto original acabou extinto com a liquidação da própria instituição financeira, cessando qualquer relação entre as partes.
O pano de fundo dessa exposição é uma crise interna que movimentou os bastidores do STF. A retirada do sigilo de parte das apurações foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso, após determinação do presidente da Corte, Edson Fachin. A medida ocorreu após decisões de Mendonça exporem supostas mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, gerando forte tensão no tribunal.










