Brasília (DF) – O ministro André Mendonça, integrante do STF, deu luz verde nesta terça-feira, dia 28, para que a Polícia Federal inicie uma varredura rigorosa em busca de bens e recursos mantidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro fora do Brasil. A medida faz parte do desdobramento das investigações que apuram irregularidades no Banco Master e estende o alcance da fiscalização para outros envolvidos no esquema.
Com essa autorização, o governo brasileiro passará a utilizar protocolos de cooperação internacional. O objetivo central é mapear e bloquear eventuais ativos ilícitos que possam ter sido enviados para o exterior antes ou durante o período das fraudes apuradas pelas autoridades.
Atualmente, Vorcaro cumpre prisão preventiva no 19° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal — instalação comumente chamada de Papudinha. A privação de liberdade do ex-banqueiro é resultado da Operação Compliance Zero, que colocou sob suspeita a gestão financeira do Banco Master.
O foco dos investigadores reside, especificamente, nas manobras financeiras internas da instituição e nas circunstâncias que envolveram a tentativa de aquisição do banco pelo Banco Regional de Brasília (BRB). Como o BRB é uma instituição pública vinculada ao Governo do Distrito Federal, a movimentação despertou o alerta dos órgãos de controle e de inteligência policial.
A estratégia de defesa de Vorcaro tem encontrado obstáculos significativos nos últimos dias. Até o momento, duas propostas de delação premiada apresentadas pelos advogados do ex-banqueiro foram descartadas pela equipe de investigação.
O motivo da negativa é pragmático. Os agentes da PF concluíram que as colaborações oferecidas não trouxeram fatos novos ou elementos inéditos capazes de enriquecer o conjunto probatório já angariado com as apreensões. Além disso, a postura do investigado, ao evitar a confissão formal dos crimes, pesou na decisão dos investigadores de não avançar com as negociações. Sem a entrega de informações que comprovem a materialidade e a autoria delitiva de forma satisfatória para o Ministério Público, as chances de um acordo tornam-se cada vez mais remotas.
A decisão de Mendonça sinaliza uma ofensiva mais técnica contra o patrimônio do investigado, buscando desmantelar eventuais redes de proteção financeira que pudessem ter sido montadas em jurisdições estrangeiras. O rastreio agora coloca pressão sobre a movimentação de capital que transita fora das fronteiras brasileiras, complicando ainda mais a situação jurídica de quem se encontra no centro dessa trama financeira.












