Ibatiba (ES) – O Brasil entrou em campo na última sexta-feira (19) e despachou o Haiti por 3 a 0. Dentro das quatro linhas, o resultado foi sólido, mas, nas arquibancadas e no sentimento nacional, o clima é outro. A vitória, que deveria servir como um bálsamo, não conseguiu apagar o gosto amargo deixado pelo empate em 1 a 1 com o Marrocos, na estreia ocorrida no dia 13.
Os números refletem um distanciamento preocupante entre o time comandado por Carlo Ancelotti e a torcida. Um levantamento nacional, que monitora a percepção do público sobre a seleção, mostra que a confiança na equipe despencou 17 pontos percentuais desde o início do torneio, caindo de 37% para apenas 20%.
Não se trata apenas de descrença técnica. O estado de espírito do torcedor brasileiro mudou. A empolgação, que antes da Copa marcava 41% dos entrevistados, agora recuou para 28%. A alegria, outrora presente em 38% dos relatos, também encolheu para 27%. Até mesmo a esperança, motor de qualquer campanha em mundiais, perdeu fôlego, baixando de 45% para 35%.
Nem tudo, porém, é pessimismo absoluto. Houve um sutil reconhecimento de esforço. A percepção de que os jogadores estão comprometidos em campo subiu de 22% para 28% logo após a vitória contra o Haiti. A humildade do grupo também ganhou pontos na avaliação popular, saltando de 17% para 23%.
O revés aparece na visão sobre a qualidade do elenco. A convicção de que este é um grupo talentoso e competitivo perdeu força, caindo de 43% para 37%. Em contrapartida, a sensação de que a seleção é mais “midiática” do que efetiva ganhou terreno, subindo de 24% para 30% entre um jogo e outro.
O mapeamento é realizado semanalmente e abrange homens e mulheres com mais de 18 anos das classes A, B e C. O projeto, criado em 2023, busca decifrar o comportamento do brasileiro e a maneira como ele enxerga valores e figuras públicas. Por ora, os dados confirmam um cenário de cautela: o brasileiro, ao que parece, ainda não comprou a ideia de que o time está pronto para o desafio.








