São Paulo (SP) – A poesia dos dribles e a leveza que marcou época no futebol ganham contornos artísticos a partir desta quarta-feira (3) na capital paulista. A Casa das Rosas, icônico ponto da Avenida Paulista, abre as portas para a exposição “Fragmentos de um Gaúcho”, uma imersão no universo de Ronaldinho Gaúcho através do olhar do artista plástico Emerson Carvalho, conhecido como Camaleão.
A mostra, que serve como um prelúdio às celebrações da Copa do Mundo, apresenta um conjunto de obras que reinterpretam a trajetória do craque, eleito por muitos como um dos maiores da história. Camaleão mergulha no imaginário do jogador, traduzindo sua genialidade em telas que parecem capturar a própria magia em movimento. Há peças, por exemplo, que focam no olhar de Ronaldinho, transformando o reflexo de seus olhos em um espelho de adversários e até mesmo da arbitragem, um convite a repensar a percepção do jogo.
O artista, em conversa com a Agência Brasil, relembrou passagens anteriores da exposição, que já encantou visitantes no Museu Brasileiro do Futebol e no Salão Nobre do Maracanã. O próprio Ronaldinho Gaúcho, aliás, já teve a oportunidade de ver seu talento transformado em arte. “Foi um negócio muito bacana. Ele gostou”, comentou Camaleão.
A inspiração para as obras vem de um processo de sete anos. “Todo mundo fala que o Ronaldo é bruxo, né? E parece que ele fez mesmo uma bruxaria comigo, sem perceber”, brinca o artista, que ao longo desse tempo, foi lapidando e “amadurecendo” suas telas, como um vinho que melhora com o tempo.
Dividida em cinco eixos temáticos, a exposição parte da premissa de que a memória é construída por retalhos: imagens fugazes, sensações e instantes que desafiam o tempo. Camaleão, contudo, faz um alerta: nem tudo o que está pintado na exposição realmente aconteceu. “Tem muita cena que eu pintei nos quadros que não aconteceu”, confessa. O futebol jogado pelo ídolo, segundo ele, era tão beirando o surreal, que por vezes se confunde com uma caricatura, um cartoon, uma forma de arte em si mesma. Um dos núcleos explora justamente essa intersecção entre esporte e arte, transformando a velocidade, a resistência e o domínio de bola em pura linguagem visual.
Além das pinturas, a mostra é enriquecida com vídeos, animações e fotografias que traçam um panorama da carreira do jogador, sem deixar de lado o minucioso processo criativo por trás de cada peça. A exibição ficará em cartaz até 14 de junho.
A Casa das Rosas, que integra o circuito da Organização Social Poiesis, oferece entrada gratuita. Este ano, em sintonia com a Copa do Mundo, a Poiesis une seus espaços – incluindo as casas Guilherme de Almeida e Mário de Andrade – na iniciativa “Museus-Casas em Campo”. A proposta é traçar conexões entre o futebol, a memória coletiva, a literatura e a vida urbana. Na Casa das Rosas, haverá a programação “Copa no Jardim”, com transmissão de jogos em telão, troca de figurinhas e debates. Já na casa Mário de Andrade, rodas de conversa sobre futebol de várzea, e na Guilherme de Almeida, um mergulho no cotidiano e nas crônicas de Guilherme de Almeida, todas relacionadas ao universo futebolístico.











