Colatina (ES) – A bola rola a partir das 14h30 desta quinta-feira (11), mas o apito inicial da Copa do Mundo de 2026 vem acompanhado por um incômodo ruído político fora de campo. Dividido de forma inédita entre três países — Estados Unidos, México e Canadá —, o maior espetáculo esportivo do planeta tenta equilibrar a promessa de uma festa histórica com o rigor extremo das fronteiras norte-americanas.
Tensões na imigração
Sob o pretexto de controle migratório e embates diplomáticos, o governo dos EUA barrou ou dificultou o acesso de delegações inteiras. O atacante iraquiano Aymen Hussein passou por um interrogatório de horas e teve seu celular vasculhado antes de ser liberado, enquanto outros membros da equipe tiveram a entrada recusada. No aeroporto de Miami, o árbitro somali Omar Artan, vindo de Istambul, foi barrado por supostas pendências de antecedentes — o que frustrou sua estreia no mundial. Até a seleção do Irã, que viu torcedores terem ingressos cancelados às vésperas do torneio, foi proibida de se hospedar no Arizona. A solução foi se alojar em Tijuana, no México, cruzando a fronteira americana apenas nas vésperas de seus compromissos.
Grandiosidade em números
O clima hostil destoa do discurso de integração que embala o torneio. A meta da organização é superar a histórica Copa do Catar, em 2022, que alcançou 5 bilhões de espectadores, registrando 1,5 bilhão de pessoas apenas na finalíssima entre Argentina e França. Para expandir essa audiência global, o campeonato de 2026 cresceu, passando a abrigar 48 seleções no lugar das tradicionais 32.
Palcos históricos e festa simultânea
Dentro das quatro linhas, a abertura guarda suas relíquias. O confronto inaugural repete o clássico entre México e África do Sul, exatamente como ocorreu em 2010. O palco do pontapé inicial será o lendário Estádio Azteca, na Cidade do México, o primeiro do mundo a sediar três aberturas de Copa (1970, 1986 e 2026).
Para celebrar o início dos jogos, shows simultâneos agitam Los Angeles, Toronto e a capital mexicana. O gramado do Azteca recebe astros como Shakira, J Balvin, Maná e Alejandro Fernández. O público canadense acompanha performances de Alanis Morissette, Michael Bublé e Alessia Cara, enquanto a festa nos EUA conta com Katy Perry, Lisa, Rema e a brasileira Anitta.







