Ibatiba (ES) – O sonho brasileiro pelo hexa, um grito sufocado há mais de duas décadas, ganhou contornos mais definidos nesta semana. Entre 11 de junho e 19 de julho de 2026, nos gramados de Estados Unidos, México e Canadá, a seleção de Carlo Ancelotti terá Marrocos, Escócia e Haiti como os primeiros degraus — ou talvez pedras — em seu Grupo C. Uma jornada que começa, para ser sincero, depois de um período de ranco.
A equipe chega ao torneio após anos de turbulência. Desde a Copa de 2022, viu quatro técnicos passarem pelo comando: Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e, finalmente, o italiano. Neymar, que por tanto tempo foi a estrela inconteste, segue na lista de convocados, mas envelhecido e castigado por seguidas lesões, longe de sua melhor forma física. É um cenário de transição, um palco montado para a ascensão de novas faces, lideradas, como se espera, pelo fulgor de Vinicius Júnior, o destaque do Real Madrid. Junto a ele, outros nomes como Raphinha, do Barcelona, e o jovem Endrick, agora no Lyon, surgem com o desafio de sustentar as esperanças.
Com um elenco carente de laterais de ofício, Ancelotti desenha uma formação com cara de 4-2-4. A ideia é ter uma linha defensiva de quatro que avance com cautela, priorizando a marcação, liberando um quarteto ofensivo para o drible, a movimentação constante e a busca incessante por associações que quebrem as defesas adversárias.
O Marrocos será o primeiro desafio brasileiro, em 13 de junho, em Nova Jersey. Um reencontro com a nação africana que roubou a cena na Copa de 2022, alcançando um surpreendente quarto lugar. Em 1998, no Mundial da França, os brasileiros levaram a melhor por 3 a 0, com gols de Ronaldo, Rivaldo e Bebeto, em um duelo pela fase de grupos. No entanto, o último confronto, um amistoso em março de 2023 em Tânger, mostrou a força marroquina: 2 a 1 para eles, sob o comando interino de Ramon Menezes. Com Achraf Hakimi (PSG) e Yassine Bounou (Al-Hilal), o time de Mohamed Ouahbi (atualmente 11º no ranking da Fifa) mostra que está longe de ser um adversário trivial.
Seis dias depois, em 19 de junho, na Filadélfia, o Brasil encara o Haiti. Uma história inédita em Copas do Mundo contra uma seleção que retorna após mais de meio século de ausência. Apesar de nunca terem se enfrentado em Mundiais, os três encontros prévios do Brasil com os haitianos terminaram sempre em vitórias canarinhas. A equipe do francês Sébastien Migné, 84ª do ranking da Fifa, conta com o zagueiro Ricardo Adé, peça fundamental na caminhada da LDU até as semifinais da última Libertadores.
Por fim, em 24 de junho, será a vez da velha conhecida Escócia. Das três seleções do grupo, é talvez a mais familiar para o torcedor. Os confrontos em Copas do Mundo acumulam quatro partidas: um 0 a 0 em 1974, vitórias brasileiras por 4 a 1 em 1982, 1 a 0 em 1990 e 2 a 1 em 1998. Sem brilho recente — sua última participação em um Mundial foi justamente em 1998 —, a Escócia de Steve Clarke, hoje na 36ª posição da Fifa, tem em Scott McTominay, volante do Napoli, um jogador para se observar de perto. O Brasil está na corrida. Mas, como sempre, o percurso será repleto de perguntas e, talvez, poucas respostas fáceis.












