São Paulo (SP) – O mercado financeiro viveu um dia de forças opostas, em que o real conseguiu se valorizar diante de fatores domésticos favoráveis, mas a bolsa de valores não resistiu à volatilidade internacional. Embalado pelo elevado diferencial de juros e pela valorização das commodities, o dólar comercial fechou em queda de 0,42%, cotado a R$ 5,089. No sentido oposto, o Ibovespa perdeu fôlego no decorrer da tarde e encerrou com recuo de 0,20%, aos 173.371,35 pontos, acumulando sua quarta desvalorização consecutiva.
Cenário cambial e forças de atração do real
A cotação da moeda norte-americana iniciou a sessão sob forte pressão, chegando a superar a marca de R$ 5,11 logo após a abertura dos negócios. A pressão arrefeceu quando surgiram notícias de que mediadores internacionais entregaram propostas para tentar conter a escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irã. O movimento global favoreceu moedas de países em desenvolvimento, permitindo que o real ganhasse terreno, a despeito do fortalecimento do dólar contra divisas de economias maduras.
No ambiente interno, a persistência de taxas de juros elevadas no Brasil em relação ao mercado norte-americano seguiu como um forte atrativo para operações de carry trade, mecanismo pelo qual investidores captam recursos em países com juros baixos para aplicar onde o rendimento é superior. Adicionalmente, o fluxo de exportações deu sustentação à moeda brasileira. Na terceira semana de julho, a balança comercial do país registrou um saldo positivo de US$ 526,3 milhões, impulsionada pelo crescimento de 6,7% nas exportações do mês, com forte contribuição do setor extrativo.
Com o resultado do dia, o dólar passa a acumular uma baixa de 1,42% no mês de julho de 2026. No balanço anual, a desvalorização da divisa estrangeira em relação ao real alcança a marca de 7,28%.
A instabilidade da bolsa e a pressão das mineradoras
O comportamento do mercado de ações destoou do alívio visto no câmbio. Pela manhã, o Ibovespa chegou a ultrapassar a barreira dos 174 mil pontos, impulsionado pelo otimismo temporário quanto a um desfecho diplomático no Oriente Médio. O cenário reverteu-se na segunda metade do pregão, após declarações contundentes de Donald Trump contra Teerã, o que reacendeu a postura defensiva dos investidores globalmente.
Embora as ações da Petrobras tenham operado em alta, amparadas pela valorização do petróleo, o desempenho positivo não foi capaz de compensar o peso das perdas registradas pelas empresas do setor de mineração, que puxaram o índice para baixo.
Petróleo oscila sob a influência de Washington e Teerã
O mercado de petróleo manteve o tom de cautela que dominou o dia. O barril do tipo Brent, que serve de referência internacional e baliza as decisões da Petrobras, encerrou em alta de 1,27%, negociado a US$ 89,22, depois de ultrapassar momentaneamente o patamar de US$ 91. O barril do tipo WTI, negociado no Texas, registrou avanço de 0,85%, finalizando a sessão cotado a US$ 82,48.
A volatilidade da commodity espelhou os sinais mistos vindos do cenário geopolítico. Se por um lado o governo iraniano confirmou o recebimento de termos para tentar reduzir o atrito com Washington, por outro a retórica de Donald Trump sugerindo retaliações firmes a qualquer investida contra forças militares americanas restabeleceu o clima de incerteza. Além disso, as atenções continuam voltadas para os riscos logísticos na região do Estreito de Ormuz e para as ameaças feitas pelos rebeldes houthis a rotas de navegação no Mar Vermelho, variáveis que mantêm permanente a preocupação com o abastecimento global de energia.













