Washington, Estados Unidos – Às vésperas das eleições que definirão o controle do Congresso norte-americano, o cenário econômico tornou-se o epicentro das preocupações dos eleitores. Embora o presidente Donald Trump não esteja nas cédulas de 3 de novembro, seu desempenho na gestão financeira do país dita o tom das discussões. O sentimento predominante entre o público é de ceticismo, alimentado pelo custo de vida, que permanece elevado e afeta diretamente a rotina das famílias, seja no abastecimento dos veículos ou nas contas mensais.
Os dados oficiais desenham, no entanto, um cenário de dualidade. De um lado, a resiliência do mercado de trabalho permanece como um ponto positivo. Os pedidos de auxílio-desemprego situam-se próximos do nível mais baixo em 57 anos, e a taxa de desemprego de 4,2%, registrada em setembro, mantém-se abaixo dos 4,5% pelo quinto ano consecutivo. Paralelamente, o mercado de ações tem batido sucessivos recordes, impulsionado pelo boom de investimentos em inteligência artificial, o que tem favorecido o patrimônio de investidores e sustentado os gastos das camadas de renda mais alta.
Essa disparidade entre os números macroeconômicos e a percepção popular gera um campo de análise complexo. Enquanto o secretário do Tesouro, Scott Bessent, descreve a combinação das atuais políticas comerciais, tributárias e regulatórias como sólida, as pesquisas de confiança do consumidor revelam uma deterioração contínua do ânimo social. O diferencial entre a oferta de empregos e a facilidade de acesso a essas vagas, medido pelo Conference Board, sugere uma melhora nas perspectivas de trabalho, mas a inflação residual continua a corroer o otimismo.
O desafio central para a estabilidade econômica reside na dificuldade em controlar os preços. Apesar da desaceleração em comparação ao pico de 2022, a inflação segue acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve. A guerra de oito meses envolvendo ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã impactou o custo dos combustíveis globalmente, provocando uma aceleração generalizada dos preços e estagnando o ganho real de poder de compra dos trabalhadores desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025.
Para conter esse avanço, o Federal Reserve, sob a liderança de Kevin Warsh, tem recorrido a sucessivos aumentos nas taxas de juros. Contudo, essa estratégia de “remédio monetário” impõe novos obstáculos, especialmente no mercado imobiliário. Com as taxas de hipotecas de 30 anos superando a marca de 7% e uma oferta insuficiente de moradias, a casa própria tornou-se um objetivo inacessível para grande parte da população, exacerbando o sentimento de frustração financeira.
Sinais de fragilidade também começam a surgir no setor corporativo. Resultados financeiros recentes de gigantes como Amazon e Intel alimentaram incertezas sobre a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial, levando a quedas em índices como o Nasdaq. Com o crescimento salarial desacelerando e o aumento dos custos de empréstimos, o eleitorado observa a trajetória da economia com cautela, tornando a inflação o termômetro definitivo para o clima de descontentamento nas urnas.












