Quem tem altas habilidades costuma caber mal em caixas ideológicas. É o que sugere uma pesquisa do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH) com 100 superdotados brasileiros, realizada em outubro de 2026, em meio ao processo eleitoral.
Rótulos que não dão conta
Segundo o levantamento, 42,1% dos voluntários afirmaram que a divisão entre esquerda e direita representa apenas parcialmente o seu pensamento. Outros 42,1% avaliaram que o debate político do país é distorcido. A conclusão dos autores é que a identificação com um lado não traduz toda a complexidade das posições individuais.
Por que cada um escolhe seu lado
Entre os que se declararam de direita, 50% citaram as pautas econômicas como principal motivação e 30% o pragmatismo e a gestão. Os demais 20% deram razões diferentes. Na esquerda, todos apontaram as questões sociais. Na centro-esquerda, metade destacou o ceticismo em relação ao sistema político.
No total, 52,6% se identificaram com a direita, 21,1% com a esquerda e 10,5% com a centro-esquerda. Libertários, centristas e apolíticos somaram 5,3% cada.
TDAH e autismo na conversa
O estudo também verificou a dupla excepcionalidade, que reúne superdotação e condições como TDAH e autismo. Todos os de esquerda declararam TDAH; na direita, 40% relataram alguma condição; na centro-esquerda, nenhum. Entre os duplamente excepcionais, a divisão foi de 50% para cada lado, o que, segundo os autores, impede qualquer leitura simplista.
Como foi feito
O questionário eletrônico ficou aberto por cerca de uma semana e a participação foi voluntária. Os voluntários vinham de entidades como Mensa, Intertel, IIS, Triple Nine Society e ISI. O estudo é observacional, transversal e exploratório, e a amostra não representa estatisticamente a população superdotada do país. As condições de neurodesenvolvimento foram autodeclaradas.
Os pesquisadores fazem questão de afirmar que a intenção não foi apontar uma orientação política como intelectualmente superior à outra, mas entender como as pessoas se identificam e quais características aparecem em cada grupo.
O trabalho foi publicado em 24 de outubro de 2026, com apoio da Infinity International Society e do projeto Gifted debate, e pode ser acessado pelo DOI https://doi.org/10.66741/sys.2026.002.










