Baixo Guandu (ES) – Logística fluvial garantida para o próximo domingo na segunda etapa do pleito geral. Representantes originários da Terra Indígena Vale do Javari acertaram os detalhes operacionais para assegurar a gratuidade no deslocamento de votantes na região amazônica.
O acerto ocorreu durante encontro realizado na quarta-feira com a condução da magistrada Dálethe Borges Messias, titular da 42ª Zona Eleitoral. Na ocasião, oficializou-se o suporte logístico necessário para a operação de trânsito fluvial.
Durante a primeira etapa da votação, a juíza acompanhou presencialmente o envio de urnas eletrônicas para as localidades de Paraíso e Remancinho, com o propósito de garantir a efetivação do direito ao voto.
Como exigência para a operação do próximo dia 25, a autoridade eleitoral pediu o envio prévio da listagem contendo as embarcações empregadas, a identificação dos encarregados e o registro do apoio fornecido por órgãos e entidades parceiras.
A determinação visa permitir o monitoramento rigoroso e a fiscalização do translado fluvial, mantendo a transparência exigida pela legislação eleitoral vigente.
Para eleições futuras, ficou ajustada a obrigatoriedade de entrega antecipada de dados detalhados, abrangendo locais de votação, comunidades beneficiadas, rotas nos rios, extensões, navegabilidade, projeção de votantes e a frota disponível de embarcações e tripulantes.
Situada no estado do Amazonas, a Terra Indígena Vale do Javari abrange 8,5 milhões de hectares, configurando-se como a segunda maior área demarcada do país, superando a extensão territorial da Paraíba. Homologada em 2001, a zona de tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru abriga 74 aldeias, sete etnias distintas e mais de 6 mil habitantes originários, além de registrar a maior concentração global de grupos isolados.
A localização estratégica e a biodiversidade tornam o território vulnerável à atuação de redes criminosas ligadas ao narcotráfico, extração ilegal de madeira, garimpo e biopirataria. A área também foi cenário do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do repórter Dom Phillips, mortos em uma emboscada no Rio Itaquaí em 2022.












