São Paulo (SP) – A cotação da moeda americana superou a barreira de R$ 5,20 e encerrou a sessão de segunda-feira (28) negociada a R$ 5,226, registrando alta de 0,83%. Trata-se do maior patamar de fechamento registrado desde o dia 30 de março, impulsionado por um ambiente internacional marcado pela busca prudente por liquidez e pelo avanço generalizado do câmbio frente a divisas de países emergentes.
Desde as primeiras negociações do dia, a moeda estrangeira apresentou trajetória de alta, superando a marca de R$ 5,22 ainda durante o período da manhã. No cenário externo, o avanço nos rendimentos dos títulos de dez anos do Tesouro dos Estados Unidos exerceu pressão expressiva sobre os ativos globais. O rendimento do papel norte-americano avançou para 5,2319%, comparado a 5,181% no encerramento da sexta-feira anterior (25), estimulando a saída de capitais de economias em desenvolvimento.
O mercado acionário brasileiro acompanhou o pessimismo global e o Ibovespa fechou em baixa de 0,26%, aos 182.991,13 pontos. Com o resultado, o principal índice da bolsa nacional acumulou a quarta sessão consecutiva de baixa. O indicador oscilou entre a mínima de 181.931,36 e a máxima de 184.094,65 pontos, refletindo o recuo das bolsas em Nova York, onde o índice S&P 500 encerrou o dia com desvalorização de 0,77%.
Apesar da sequência negativa recente, o Ibovespa ainda acumula ganhos de 3,14% ao longo do mês de setembro e alta de 13,57% no acumulado do ano. No cenário doméstico, os investidores também mantiveram parte do foco voltada para a corrida presidencial, embora os levantamentos divulgados ao longo do dia não tenham alterado o panorama de disputa acirrada.
No setor de commodities, o petróleo fechou em alta, embora tenha reduzido os ganhos substanciais registrados nas horas anteriores. O barril do tipo Brent para dezembro encerrou cotado a US$ 97,83, alta de 0,40%, enquanto o contrato do tipo WTI avançou 0,21%, a US$ 92,60. A volatilidade da commodity esteve atrelada às incertezas sobre as negociações entre Washington e Teerã e aos gargalos no tráfego pelo Estreito de Ormuz.
A alta do petróleo ajudou a dar suporte parcial às ações de empresas do setor na bolsa brasileira. Em contrapartida, o índice Small Caps, que exclui a Petrobras de sua composição, registrou queda de 1,2% no pregão. Fatores adicionais de oferta também entraram no radar, com a Arábia Saudita retomando o bombeamento pelo oleoduto Leste-Oeste, com fluxo estimado em 3,5 milhões de barris diários e reabertura dos carregamentos no porto de Yanbu.
Dados macroeconômicos divulgados revelaram que o Brasil registrou um déficit de US$ 5,055 bilhões em transações correntes durante o mês de agosto, ao passo que os investimentos diretos no país somaram US$ 7,396 bilhões no mesmo período. Já no boletim Focus divulgado pelo Banco Central, a mediana das projeções para o câmbio ao final deste ano permaneceu inalterada em R$ 5,20. Por sua vez, a estimativa para a inflação subiu de 4,92% para 4,99% em 2026, e passou de 4,30% para 4,31% para o ano de 2027.











