São Paulo (SP) – O encerramento das atividades de apostas on-line no país, oficializado nesta sexta-feira (25) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento em São Paulo, desencadeou uma resposta imediata do Ministério da Saúde. A pasta anunciou a ampliação de uma estratégia de busca ativa voltada a identificar e oferecer tratamento especializado a indivíduos que desenvolviam comportamentos de jogo problemáticos.
O ministro Alexandre Padilha esclareceu que a iniciativa não é inédita, mas ganhará novo fôlego com o cenário de restrição. Desde dezembro de 2025, o governo já operacionalizava uma rede de inteligência de dados, cruzando informações fornecidas pelo Ministério da Fazenda, pelo Ministério da Segurança Pública e pela Receita Federal para mapear o perfil desses usuários. Segundo o ministro, o fluxo ocorre através da plataforma Nuvem Brasil, ambiente protegido por protocolos rigorosos de segurança, respeitando estritamente a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e os códigos de ética médica.
A estrutura de acolhimento será sustentada pelo ecossistema do Meu SUS Digital. A intenção é descentralizar o suporte através de teleatendimentos, garantindo que o atendimento em saúde mental chegue não apenas aos apostadores, mas também aos seus familiares, que frequentemente sofrem as repercussões emocionais e financeiras do vício em apostas. Até o momento, o governo ainda não detalhou a logística operacional ou o cronograma de implementação desses novos fluxos de atendimento.
A preocupação da administração federal com o tema reflete o peso econômico e social do problema. Durante a coletiva de imprensa na capital paulista, Padilha recorreu a indicadores do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) para ilustrar a gravidade da situação. Os dados apontam que o custo social derivado do setor de apostas atinge a marca de 38,8 bilhões de reais anuais.
Uma parcela alarmante desse montante, cerca de 17 bilhões de reais, está diretamente ligada aos prejuízos humanos e institucionais decorrentes de suicídios associados ao endividamento e à compulsão por jogos. Com a proibição em vigor, o governo espera conter esse agravante de saúde pública, deslocando o foco da regulação financeira para a assistência clínica e o acompanhamento de longo prazo dos cidadãos impactados pela transição.












