Nova York, Estados Unidos – A véspera da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, iniciada nesta terça-feira, 22, foi marcada por uma intensa agenda de contatos de Luiz Inácio Lula da Silva em solo americano. O presidente brasileiro utilizou o espaço para alinhar posicionamentos com lideranças locais antes dos debates formais na sede da organização. Entre os compromissos, destacou-se o encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o senador por Vermont, Bernie Sanders, ambos integrantes da ala democrata e conhecidos por sua oposição à plataforma de Donald Trump.
Mamdani, que se autodefine como socialista democrata e detém o marco de ser o primeiro muçulmano a chefiar a prefeitura nova-iorquina, compartilhou com o brasileiro os desafios de gerir o que classificou como a cidade mais cara das Américas e a terceira do mundo. O prefeito revelou a Lula que um quarto da população local enfrenta condições de pobreza, situação que tentou atenuar por meio da implementação de supermercados populares. Ao longo da conversa, o gestor local qualificou o presidente do Brasil como uma fonte de inspiração para sua atuação política.
A pauta central do diálogo girou em torno da necessidade de redirecionar recursos públicos para o bem-estar das camadas mais vulneráveis. Lula e Mamdani convergiram na defesa da democracia e no enfrentamento ao extremismo e à propagação de notícias falsas. O presidente brasileiro aproveitou a oportunidade para criticar o desvio de verbas internacionais, mencionando que nações da Europa e o Japão têm priorizado investimentos em armamentos e defesa militar, negligenciando, segundo ele, o financiamento de iniciativas essenciais voltadas à educação e ao combate à fome.
Dirigindo-se à imprensa após a reunião, Lula externou sua expectativa quanto ao futuro político de Mamdani. Ao destacar a juventude do prefeito, o brasileiro expressou o desejo de que o político americano se consolide como uma liderança capaz de reduzir a desigualdade e a invisibilidade social. A reunião reforçou o tom de prioridade que o governo brasileiro pretende imprimir durante a agenda oficial da ONU ao tratar das desigualdades globais.
O roteiro de compromissos em Nova York incluiu, ainda, uma reunião bilateral com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. O encontro serviu para a costura de parcerias práticas, como a autorização concedida pelo líder uruguaio para que o Brasil utilize o excedente de sua cota de exportação de carne bovina destinada à China. Além disso, os governantes debateram a complexa regulamentação das apostas online, o mercado de bets, que tem sido foco de preocupação em ambos os países.
A cooperação em infraestrutura também ocupou lugar de destaque no diálogo entre os vizinhos. Lula sinalizou um novo encontro próximo para acelerar projetos de integração transfronteiriça, com foco na construção da ponte binacional sobre o rio Jaguarão. O governo uruguaio confirmou, via nota oficial, que a pauta abordou a robustez do multilateralismo, o desenvolvimento produtivo e o fortalecimento de blocos regionais, com menções específicas aos planos de atuação no Mercosul e na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a CELAC.










