Brasília (DF) – A paralisação dos funcionários da Caixa Econômica Federal, que completa uma semana nesta quinta-feira, caminha para um momento decisivo. Na próxima segunda-feira (21), a categoria vai às urnas em uma votação virtual, entre 11h e 18h, para deliberar sobre a aceitação da nova proposta apresentada pela instituição bancária para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028. Antes do pleito, uma plenária virtual será realizada entre 9h e 11h para esclarecer dúvidas dos trabalhadores.
O ponto central das negociações envolve o Saúde Caixa. A proposta enviada pela direção do banco na madrugada de quinta-feira (17) eleva o teto de participação da Caixa no custeio do plano de 6,5% para 9% da folha de pagamento, com validade a partir de 2027. A medida representa, segundo cálculos da representação dos bancários, um incremento recorrente de aproximadamente R$ 900 milhões por parte da empresa. Os trabalhadores mantêm a defesa do modelo solidário, sem diferenciação de custos por faixa etária, e a nova oferta garante que não haverá aumento nas mensalidades em 2026, com o banco assumindo o déficit acumulado.
Além do impacto financeiro, o texto negociado prevê a criação de um grupo de trabalho com prazo de 60 dias para debater um novo modelo de gestão para o plano. Também está assegurada a presença de um funcionário dedicado exclusivamente às demandas do Saúde Caixa em cada unidade de Gerência de Pessoas e de Representação Regional de Pessoas. Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, classificou o desenho atual como fruto direto da mobilização da categoria, destacando a preservação do pacto intergeracional como um princípio inegociável mantido no acordo.
Fora da questão assistencial, a proposta contempla ajustes no programa de remuneração variável Super Caixa, elevando a premiação por habilitação de 25% para 50% a partir do segundo semestre de 2026. O banco também se comprometeu a instituir um grupo paritário para discutir o Plano de Funções Gratificadas (PFG) e manteve a oferta de um prêmio de R$ 3 mil por empregado, referente à meta de eficiência operacional alcançada em junho de 2026.
A greve, deflagrada no dia 10 de agosto, terá seus desdobramentos definidos pelo voto dos funcionários. Caso a proposta seja aprovada na segunda-feira, o banco se compromete a abonar o dia paralisado em 20 de agosto, embora as demais jornadas de ausência devam ser compensadas em um prazo de até 180 dias. A Caixa assegurou, ainda, a manutenção de todos os direitos previamente firmados em acordos coletivos específicos e na convenção da categoria.












