Rio de Janeiro (RJ) – O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro intensificou o cerco contra a infiltração de facções no processo democrático fluminense. Ao todo, 15 candidaturas foram barradas pela Corte até o momento devido à identificação de vínculos estreitos entre os postulantes e organizações criminosas. O levantamento revela que o impacto maior recai sobre a corrida para a Assembleia Legislativa do Estado, que concentra 11 dos nomes vetados.
A relação de candidatos impedidos de concorrer neste pleito também inclui três nomes que almejavam cadeiras na Câmara dos Deputados, além de uma candidatura para a vaga de suplente de senador. Apenas na última segunda-feira, 14, os magistrados negaram oito desses registros. Entre os casos mais recentes, cinco foram enquadrados na tese jurídica conhecida como milícia de gravata, termo utilizado para descrever o braço de organizações criminosas especializado em cometer delitos diretamente contra a administração pública.
Os demais processos que resultaram em indeferimento estão ligados à atuação direta de milícias, grupos paramilitares que mantêm domínio territorial armado sobre diversas comunidades em todo o Rio de Janeiro. Antes mesmo da sessão desta semana, outros sete nomes já haviam sido retirados do pleito pelo mesmo motivo, em julgamentos realizados anteriormente pela Justiça Eleitoral.
O presidente do órgão, desembargador Claudio de Mello Tavares, reforçou o posicionamento da Corte por meio de um comunicado oficial. O magistrado destacou que não existe margem para tolerância diante da influência do tráfico de drogas ou de grupos milicianos nas eleições. Segundo ele, o Tribunal tem adotado uma postura rigorosa como medida de proteção ao regime democrático.
O objetivo central dessas decisões, conforme explicitado pelo presidente do TRE-RJ, é impedir que estruturas de poder do Estado sejam ocupadas ou controladas por representantes de facções criminosas através do voto. A ofensiva busca blindar o pleito contra o uso de recursos e influência ilícita na ocupação de cargos eletivos.












