Vila Velha (ES) – A hiperplasia prostática benigna (HPB), condição caracterizada pelo aumento benigno da próstata, afeta milhões de homens a partir dos 40 anos e é mais comum do que o câncer de próstata. Apesar da alta prevalência, muitos pacientes ainda acreditam que se trata apenas de um problema relacionado ao envelhecimento ou ao desconforto para urinar, o que pode atrasar o diagnóstico e favorecer complicações importantes.
Além de sintomas como aumento da frequência urinária, dificuldade para iniciar a micção, jato urinário fraco, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e necessidade frequente de acordar à noite para urinar, a doença pode provocar danos progressivos ao sistema urinário quando não tratada.
De acordo com o urologista Dr. Mark Neumaier, mestre e doutor com atuação em saúde masculina, o principal alerta é que a hiperplasia prostática benigna não deve ser encarada apenas como uma questão de qualidade de vida.
“Muitas pessoas acreditam que o problema se resume aos sintomas urinários, mas o que realmente nos preocupa é a saúde da bexiga. Quando ela permanece por muito tempo fazendo esforço para vencer a obstrução causada pela próstata aumentada, pode perder sua capacidade de funcionamento. Em alguns casos, esse dano é irreversível e o paciente pode precisar utilizar uma sonda para conseguir esvaziar a bexiga”, explica Dr. Mark Neumaier.
Segundo o especialista, preservar a função da bexiga é um dos principais objetivos do tratamento. “Melhorar a qualidade de vida é importante, mas existe um aspecto ainda mais relevante: salvar a bexiga. Quando tratamos no momento adequado, conseguimos evitar danos permanentes, preservar a autonomia do paciente e reduzir o risco de complicações futuras”, afirma Dr. Mark Neumaier.
O tratamento da HPB varia conforme a intensidade dos sintomas, o grau de obstrução e as características de cada paciente. Em situações iniciais, mudanças no estilo de vida e medicamentos podem ser suficientes. Já nos casos em que há maior comprometimento, podem ser indicados procedimentos cirúrgicos.
Entre as alternativas disponíveis estão as técnicas minimamente invasivas, como o Rezūm, procedimento que utiliza vapor de água para reduzir o excesso de tecido prostático responsável pela obstrução urinária. A técnica busca aliviar a obstrução preservando estruturas importantes e, em pacientes selecionados, pode proporcionar recuperação mais rápida em comparação com algumas cirurgias convencionais.
Dr. Mark Neumaier destaca que a decisão sobre o tratamento deve ser individualizada e, principalmente, realizada antes que ocorram danos permanentes à bexiga. “Quanto mais cedo identificamos a doença e corrigimos a obstrução, maiores são as chances de preservar a função da bexiga e manter a independência do paciente ao longo dos anos.”
O especialista reforça ainda que homens a partir dos 40 anos que apresentam alterações urinárias persistentes devem procurar avaliação com um urologista. O diagnóstico precoce permite não apenas controlar os sintomas, mas também evitar complicações que podem comprometer a função da bexiga e a autonomia do paciente no futuro.













