São Paulo (SP) – O avanço silencioso do sarampo em São Paulo, que já registra ao menos 23 casos confirmados em 2026, acende o sinal de alerta às vésperas de grandes fluxos migratórios globais. Com a aproximação de um grande evento esportivo mundial, a circulação intensa de turistas e o retorno de brasileiros que viajam ao exterior elevam o risco de reintrodução em massa de um vírus altamente contagioso, mas que pode ser contido com uma medida simples: a vacinação precoce.
Para compreender a gravidade do cenário, basta olhar para a facilidade de contágio da doença. O vírus se espalha de pessoa para pessoa por via aérea, através de gotículas expelidas ao falar, tossir ou simplesmente respirar. Uma única pessoa infectada é capaz de transmitir o patógeno para até 90% dos indivíduos próximos que não estejam imunizados. O contágio se inicia antes mesmo do aparecimento das manchas vermelhas na pele, estendendo-se de seis dias antes a quatro dias após o surgimento das lesões cutâneas.
Os sintomas iniciais costumam ser confundidos com os de um resfriado comum, caracterizados por febre alta que ultrapassa os 38,5 graus, tosse seca, irritação nos olhos e um mal-estar intenso. Entre três e cinco dias depois, surgem as manchas vermelhas atrás das orelhas e no rosto, espalhando-se rapidamente pelo resto do corpo. Em crianças pequenas, a febre persistente serve como um sinal de alerta crítico, indicando que a infecção pode evoluir para quadros graves de saúde.
As complicações associadas ao sarampo são severas e podem deixar sequelas permanentes ou levar ao óbito. A pneumonia, por exemplo, acomete cerca de uma em cada 20 crianças doentes e se configura como a causa mais frequente de morte infantil por sarampo. Outro risco severo é a infecção no ouvido, que atinge um em cada dez infectados e pode resultar em perda auditiva definitiva. Casos de inflamação no cérebro, a chamada encefalite aguda, ocorrem em até quatro de cada mil crianças e apresentam uma taxa de mortalidade de 10% entre as acometidas.
Como não existe um tratamento específico contra o sarampo, a medicina atua apenas no alívio do desconforto. O manejo envolve hidratação constante, suporte nutricional e medicamentos para febre, demandando frequentemente entre quatro e oito semanas para que a criança recupere totalmente seu estado nutricional. O diagnóstico seguro requer exames laboratoriais de sangue, urina ou secreções respiratórias, embora a avaliação clínica inicial seja crucial.
A vacinação continua sendo a única ferramenta capaz de bloquear a circulação do vírus. O esquema padrão prevê a primeira dose da vacina tríplice viral aos 12 meses de idade e a segunda dose, por meio da tetraviral, aos 15 meses. Para quem não se imunizou na infância, a orientação varia por faixa etária: pessoas entre 5 e 29 anos devem receber duas doses com intervalo mínimo de um mês, enquanto adultos de 30 a 59 anos precisam de pelo menos uma dose. Grávidas não podem receber a vacina, devendo atualizar sua imunização após o parto.
Em momentos de surto ou alta exposição, a aplicação da chamada dose zero é recomendada para bebês de 6 a 11 meses. Essa dose emergencial, no entanto, não substitui as vacinas do calendário regular de rotina, que devem ser administradas normalmente a partir de um ano de idade. Pessoas que já contraíram a doença no passado e têm diagnóstico laboratorial confirmado são consideradas imunes, mas, na ausência de comprovação documental, a orientação médica é buscar a vacinação imediata para garantir a proteção.













