Rio de Janeiro (RJ) – A integridade das eleições majoritárias no Rio de Janeiro motivou uma reconfiguração logística significativa no mapa de votação fluminense. Com o objetivo de blindar o processo contra a interferência de milícias e facções do tráfico, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) decidiu pela transferência de 66 locais de votação. A decisão, assinada pelo presidente do órgão, desembargador Claudio de Mello Tavares, foi sustentada por um diagnóstico detalhado do Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral, que monitora áreas de alto risco no estado.
O impacto da medida é expressivo e atinge diretamente 188 mil cidadãos distribuídos em 20 municípios. A lista de cidades contempladas inclui Rio de Janeiro, Araruama, Bom Jesus do Itabapoana, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Itaboraí, Itaguaí, Itaperuna, Japeri, Macaé, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Pinheiral, Resende, Rio Bonito, Rio das Ostras, São Gonçalo, São João de Meriti e Volta Redonda. Comparado ao pleito de 2024, quando 53 locais foram realocados, o cenário atual apresenta uma expansão de dez cidades sob o escrutínio do tribunal.
Segundo o desembargador Claudio de Mello Tavares, a reordenação das urnas é um passo essencial para garantir a tranquilidade do eleitorado e a legitimidade das escolhas nas urnas. O magistrado reforçou que o tribunal trabalha para que o exercício do sufrágio ocorra em um ambiente livre de pressões externas ou intimidações. Para definir os novos endereços, a Justiça Eleitoral estabeleceu critérios técnicos rigorosos: os locais precisam estar situados fora de áreas sob domínio de grupos criminosos, ser distantes de territórios em disputa por facções rivais e, simultaneamente, manter a maior proximidade possível com a zona eleitoral original.
O monitoramento, no entanto, não termina com a mudança dos locais. O Grupo de Trabalho Unificado atua de forma integrada com setores de inteligência das forças de segurança, permitindo o fluxo de dados para a Procuradoria Regional Eleitoral. Essas informações são fundamentais para embasar eventuais ações de impugnação de registros de candidatura pelo Ministério Público Federal (MPF), uma estratégia voltada a barrar a infiltração de organizações criminosas no sistema político.
Complementando o esquema de segurança, o TRE-RJ instalou em agosto o Gabinete Extraordinário de Segurança Institucional (Gaesi), focado na prevenção e repressão a ilícitos eleitorais. Paralelamente, o tribunal aprovou, de forma unânime, o envio de tropas federais para garantir a ordem durante a votação e a apuração. A solicitação agora depende do crivo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de articulações junto ao Ministério da Defesa.
Diante da expressiva quantidade de alterações, a recomendação oficial é para que os eleitores não deixem para verificar seus dados na véspera. É possível confirmar se houve mudança no local de votação através do site da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro, informando apenas o CPF ou o número do Título de Eleitor. O tribunal também disponibilizou o canal telefônico Disque TRE-RJ, pelo número (21) 3436-9000, que opera com atendimento humano de segunda a sexta-feira, das 11h às 19h.












