Brasília (DF) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom na quarta-feira (5) ao comentar a decisão do governo de Donald Trump de revogar o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Durante uma entrevista conjunta concedida aos canais Meteoro Brasil e ao podcast Os Três Elementos, o mandatário brasileiro definiu o gesto da Casa Branca como uma medida impensada e destituída de fundamento diplomático.
A determinação de Washington, oficializada na terça-feira (4), teria sido motivada por uma suposta demora do Palácio do Planalto em conceder o agrément — a aprovação diplomática — para o nome indicado por Trump para chefiar a embaixada norte-americana em Brasília. Em resposta, o governo brasileiro refutou as justificativas apresentadas pelos EUA, classificando-as como falsas.
Para o presidente Lula, a postura do governo estadunidense ignora um histórico consolidado de mais de dois séculos de relações bilaterais. Ele destacou que, caso a embaixadora necessite deixar o território americano e retornar ao Brasil, o processo de solicitação de visto teria de ser reiniciado, o que, segundo o chefe do Executivo, é uma exigência desnecessária e desproporcional entre parceiros de longa data.
Lula aproveitou a ocasião para apontar uma contradição na política externa do governo de Donald Trump. Segundo o presidente, há um desinteresse evidente de Washington em manter representação de alto nível no Brasil, lembrando que a vaga de embaixador dos EUA em solo brasileiro permanece sem um titular oficial há cerca de um ano e meio. O presidente enfatizou que a administração brasileira não se submeterá a pressões por cronogramas impostos de forma unilateral.
Ainda na entrevista, o presidente reitera a posição de soberania do Estado brasileiro diante do cenário internacional. Ao tratar das eleições de outubro, ele enfatizou que não tolerará qualquer espécie de interferência estrangeira no processo democrático interno. Conforme o posicionamento do Planalto, o país está devidamente aparelhado para confrontar tentativas externas que busquem incidir sobre o pleito nacional, reafirmando que o Brasil exige ser tratado com respeito nas relações diplomáticas.













