Genebra, Suíça – O cenário laboral na América Latina e no Caribe apresentou sinais de resiliência ao longo de 2025. Dados divulgados em Genebra pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelam que a região alcançou uma das marcas mais baixas de desemprego das últimas décadas, com um movimento de expansão impulsionado, em grande parte, pela criação de postos de trabalho com registro formal.
A taxa de ocupação regional subiu de 59,7% em 2024 para 59,9% no último ano. O índice de desemprego, por sua vez, recuou de 5,8% para 5,3%, patamar que não era visto na última década. No entanto, números agregados escondem fissuras sociais profundas. A disparidade permanece evidente: enquanto a desocupação entre adultos acima de 25 anos está em 4,1%, o índice entre jovens de 15 a 24 anos salta para 11,3%. A diferença de gênero também é persistente, com taxas de 6,3% para mulheres contra 4,4% entre os homens.
A informalidade, embora em trajetória descendente, ainda é uma realidade para metade da força de trabalho da região. A taxa geral entre 15 países latino-americanos fechou em 47,4%, uma queda de 0,9 ponto percentual em relação a 2024. O Brasil apresenta um cenário distinto do bloco, com uma taxa de informalidade de 35,6%. Na comparação regional, a disparidade é gritante: o Uruguai registra 22,4%, enquanto a Bolívia atinge 82,2%. No Brasil, os dados mostram uma melhora no desemprego, que caiu de 7,9% no início de 2024 para 7% no primeiro trimestre do ano seguinte.
Gerson Martínez, especialista da OIT em economia do trabalho, defende que a compreensão detalhada sobre quem acessa o mercado, quem permanece à margem e qual a qualidade das oportunidades geradas será o grande desafio nos próximos anos. A transição demográfica em curso já começou a alterar as dinâmicas de emprego, exigindo políticas mais sofisticadas que ultrapassem a simples redução de custos ou fiscalização.
O relatório aponta que o crescimento econômico e a proteção social precisam caminhar juntos. Muitas empresas operam na informalidade por incapacidade de arcar com os encargos, mas outras, com estrutura para o registro, optam por manter relações trabalhistas sem a devida formalização. Para a diretora-regional da OIT, Ana Virginia Moreira Gomes, as estratégias governamentais precisam ser cirúrgicas, tratando de forma distinta a microempresa de subsistência e aquela com potencial de escala.
A recomendação técnica da agência é clara: o caminho para a formalização plena envolve a combinação de acesso a crédito, tecnologia e qualificação profissional. Ao integrar serviços de apoio empresarial com políticas de proteção social, os governos podem remover as barreiras que hoje travam a produtividade, permitindo que a transição para o mercado formal seja, de fato, um degrau para o desenvolvimento econômico sustentável.











