Vila Velha (ES) – O mercado financeiro fechou a sexta-feira (24) em um clima de tensão contida. Enquanto o dólar comercial terminou o pregão praticamente estável, cotado a R$ 5,081 — uma variação quase imperceptível de -0,06% —, a bolsa de valores brasileira sentiu o peso das incertezas internacionais. O Ibovespa encerrou o dia com queda de 1,52%, atingindo os 174.041 pontos, a mínima do dia, embora ainda tenha conseguido fechar a semana com um leve ganho de 0,19%.
A calmaria no câmbio contrasta com a agitação nos ativos de risco. O dólar iniciou o dia sendo negociado a R$ 5,09 e chegou a recuar para R$ 5,04 por volta das 12h, mas a força compradora devolveu a moeda à estabilidade durante a tarde. O real tem mantido um desempenho superior ao de outras moedas de países emergentes, sustentado pela posição do Brasil como exportador líquido de petróleo e por um diferencial de juros favorável, que segue atraindo o capital externo para o mercado brasileiro.
O epicentro do pessimismo na bolsa foi o setor de energia. O petróleo sofreu um ajuste relevante após ter rompido a marca de US$ 100 por barril no dia anterior. O tipo Brent caiu 3,88%, cotado a US$ 96,78, enquanto o WTI recuou 3,12%, para US$ 89,31. Esse movimento veio na esteira de notícias sobre uma possível retomada das negociações entre Washington e Teerã, com mediação do Paquistão e apoio da China, o que amenizou, ainda que momentaneamente, o medo de um conflito maior no Oriente Médio.
A realização de lucros dominou o Ibovespa. Investidores aproveitaram a queda do óleo para vender ações de petroleiras, um movimento replicado por quem buscava sair de papéis de mineradoras e grandes bancos. Esse último setor, inclusive, acusou o impacto da redução no fluxo estrangeiro direcionado a mercados emergentes.
Pairando sobre toda essa movimentação estão as novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. O governo norte-americano aplicou taxas que variam de 10% a 12,5% a cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. A medida, que já era antecipada nas últimas semanas, foi digerida pelos analistas como algo amplamente precificado, o que evitou um pânico maior nas negociações.
Apesar da correção de preços desta sexta-feira, os riscos para a oferta global de energia permanecem no radar. Mesmo com a expectativa de diálogo diplomático, a realidade operacional impõe desafios: o tráfego no Estreito de Ormuz segue reduzido e os ataques de houthis no Mar Vermelho continuam a ameaçar as rotas cruciais de transporte. Para os próximos pregões, a dúvida que permanece é se o otimismo diplomático será suficiente para segurar as cotações ou se a realidade do conflito ditará novamente o ritmo do mercado.









