Brasília (DF) – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manifestou-se na última terça-feira (22) para desmentir, mais uma vez, o vínculo entre a empresa venezuelana Smartmatic e a infraestrutura das eleições brasileiras. A necessidade de esclarecimento surgiu após declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL) durante o evento Debating Brazil, realizado na segunda-feira (21), onde o parlamentar sugeriu, sem apresentar evidências, que o sistema de votação do país utilizaria tecnologias da companhia estrangeira.
Para rebater a desinformação, a corte recorreu ao histórico de comunicações oficiais, resgatando um posicionamento de 2020 que neutraliza boatos circulantes na rede desde 2017. A nota técnica do tribunal é categórica: a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem participou da programação ou desenvolvimento de qualquer software que opera na Justiça Eleitoral. O papel da empresa na relação com o TSE limitou-se, no passado, a serviços técnicos de conectividade de voz e dados, sem ingerência nas operações eleitorais propriamente ditas.
A produção dos equipamentos, por outro lado, é conduzida sob supervisão direta dos próprios servidores e técnicos da Justiça Eleitoral. O processo ocorre por meio de licitações públicas com ampla concorrência, sendo que, na disputa de 2020 para o fornecimento de novas máquinas, a Smartmatic chegou a participar do certame, mas foi superada pela empresa Positivo.
O uso de documentos estrangeiros
Durante o evento com diplomatas, Flávio Bolsonaro justificou seu argumento citando um relatório da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, recentemente desclassificado. O documento discute possíveis irregularidades em pleitos na Venezuela entre 2004 e 2020, mencionando a Smartmatic. Contudo, o texto da CIA não atesta a ocorrência de fraude eletrônica em larga escala; pelo contrário, o órgão norte-americano manteve a avaliação de que outros fatores explicariam os resultados observados naquelas disputas.
O senador, que é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — figura central em episódios de ataques ao sistema eleitoral que resultaram em condenações por tentativa de golpe de Estado —, utilizou o relatório como base para traçar um paralelo inexistente com as urnas brasileiras. Especialistas e adversários políticos interpretaram o movimento como uma reedição da estratégia de deslegitimação das instituições aplicada nos anos anteriores.
Resposta da campanha
Em nota oficial, a coordenação de pré-campanha de Flávio Bolsonaro sustentou que o senador não colocou em xeque a integridade das eleições nacionais. O texto afirma que ele apenas relatou fatos públicos, como a existência de um relatório da CIA sobre a Venezuela e o contexto da reunião de Jair Bolsonaro com embaixadores, que culminou em sua inelegibilidade.
A equipe do senador declarou ter plena confiança no sistema de votação do país e incentivou a participação de missões de observação internacional, argumentando que tais presenças colaboram para o fortalecimento da transparência pública e do processo democrático. O comunicado, contudo, evitou tratar diretamente da afirmação equivocada sobre a procedência das urnas.










