Ibatiba (ES) – Cerca de 120 agentes da Polícia Federal foram às ruas nesta terça-feira, 21 de maio, com um objetivo claro: desmantelar um esquema sofisticado que sangrou os cofres da Caixa Econômica Federal. A Operação Infiltrados revelou uma estrutura criminosa montada para acessar dados sigilosos e desviar aproximadamente R$ 45 milhões de beneficiários e correntistas do banco estatal.
O que torna o caso particularmente grave não é apenas o montante subtraído, mas o nível de articulação da rede. Segundo as investigações, a organização mantinha uma espécie de rede de proteção composta por servidores públicos e advogados. A função desse braço jurídico e administrativo era dupla: garantir o fluxo de informações privilegiadas e, quando necessário, manobrar para obstruir qualquer apuração que pudesse expor a fraude.
A logística para desarticular essa organização exigiu a execução de 25 mandados de busca e apreensão. A operação se espalhou por sete cidades, concentrando-se em municípios do Rio de Janeiro — como a capital, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói e Cabo Frio — e alcançando também o interior de São Paulo, nas cidades de Indaiatuba e Salto.
As evidências colhidas apontam que o grupo transcendia o ambiente estritamente financeiro. A organização criminosa integrava contraventores em sua engrenagem. Eram essas figuras que, na prática, facilitavam o pagamento de propinas a funcionários públicos e a contratação de defensores dispostos a proteger a operação de olhares externos. O acesso aos dados sigilosos dos clientes era o coração do negócio, permitindo que as contas fossem drenadas com a aparente discrição necessária para evitar alertas imediatos.
A Caixa Econômica Federal afirmou que trabalha em regime de colaboração direta com a Polícia Federal, fornecendo os subsídios necessários para o avanço das apurações. Em comunicado oficial, a instituição bancária reforçou que os dados sobre fraudes e movimentações suspeitas são tratados sob sigilo estrito, sendo entregues apenas aos órgãos de segurança competentes.
A direção do banco sustenta que mantém um sistema de monitoramento ininterrupto sobre seus produtos e serviços financeiros. O objetivo, segundo o banco, é identificar prontamente padrões de transações que destoem da normalidade, permitindo que casos como o que motivou a operação desta terça-feira sejam mapeados e combatidos com maior agilidade. O inquérito policial segue em curso para identificar outros possíveis beneficiários do esquema e quantificar com precisão o dano final causado aos cofres da instituição e aos correntistas.












