Washington, Estados Unidos – O preço do barril de petróleo rompeu a barreira dos 80 dólares no mercado internacional nesta segunda-feira (13). O estopim foi o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um novo bloqueio ao transporte do combustível vindo do Irã, acompanhado de uma cobrança unilateral de 20% sobre a carga que cruza o Estreito de Ormuz. A decisão mexe diretamente com os brios do comércio global e eleva a tensão militar no Oriente Médio a patamares perigosos.
Para viabilizar uma medida desse calibre, o caminho prático é complexo e violento. Roberto Goulart Menezes, professor titular de relações internacionais da Universidade de Brasília, aponta que o controle efetivo do canal exige que as forças norte-americanas invadam e dominem porções do território iraniano para estabelecer uma margem mínima de segurança. Na prática, isso significa colocar tropas terrestres no Irã e militarizar de vez uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
Essa postura agressiva afasta qualquer chance de diplomacia imediata. Ao se autoproclamarem os guardiões do Estreito de Ormuz, os Estados Unidos sinalizam que o diálogo com Teerã está rompido. O professor da UnB recorda que esse expediente não é inédito: Washington utilizou manobras semelhantes durante a Guerra do Iraque, na década de 1990. Trata-se, na avaliação do especialista, de um processo de espoliação econômica — uma cobrança forçada que pode render até 120 bilhões de dólares por ano aos cofres americanos.
A fatura cobrada dos aliados
O movimento tem endereço certo. Pouco depois de deixar a reunião da OTAN, Trump verbaliza uma cobrança direta aos aliados, especialmente os europeus. A lógica por trás da taxa de 20% é obrigar outras nações a financiarem não apenas os custos futuros de patrulhamento, mas também os gastos acumulados pelos Estados Unidos em conflitos anteriores na região. Diante da relutância dos parceiros em aumentar os gastos militares de forma voluntária, a taxação surge como uma imposição financeira inevitável.
O beco sem saída diplomático
A escalada retórica asfixia os canais de negociação. Como o regime iraniano sempre manteve uma postura de extrema desconfiança em relação aos acordos propostos, a falta de previsibilidade da atual gestão da Casa Branca inviabiliza até a atuação de mediadores tradicionais, como Catar, Turquia e Paquistão. Sem parâmetros claros para dialogar com Trump, a diplomacia regional se vê de mãos atadas, enquanto o potencial de reação militar do Irã só aumenta.
O pano de fundo desse impasse remonta a fevereiro deste ano, quando Estados Unidos e Israel iniciaram uma campanha de ataques ao Irã sob a justificativa de interromper um suposto programa de desenvolvimento de armas nucleares. Desde então, o tráfego de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz — situado entre o Irã, os Emirados Árabes e Omã — sofreu reduções drásticas. A instabilidade nessa passagem estrangula o comércio de energia, já que um quarto de todo o petróleo consumido no mundo transita obrigatoriamente por aquelas águas.










