Brejetuba (ES) – O silêncio em Wall Street por conta do feriado nacional nos Estados Unidos abriu espaço para que os fatores domésticos ditassem o rumo dos negócios na bolsa brasileira nesta sexta-feira (3). Com as mesas de operação americanas fechadas e a liquidez reduzida, o mercado financeiro local se concentrou nos sinais de desaceleração econômica por aqui para consolidar a aposta de que o Banco Central terá espaço para cortar os juros no curto prazo.
Essa dinâmica levou o Ibovespa, principal índice da B3, de volta à casa dos 174 mil pontos pela primeira vez em um mês. A sessão terminou com alta de 0,74%, aos 174.070,27 pontos — o patamar de fechamento mais elevado desde o dia 2 de junho. Com o resultado, o índice acumulou um ganho discreto de 0,45% na semana, ampliando a valorização no ano para 8,03%. O giro financeiro do dia somou R$ 12,6 bilhões, um volume bem inferior à média diária, reflexo direto da ausência dos investidores estrangeiros devido à comemoração da Independência americana.
O grande motor para o otimismo veio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revelou um recuo de 0,2% na produção industrial de maio em relação a abril. O desempenho abaixo do que analistas previam reforçou a leitura de que a atividade econômica nacional está perdendo fôlego. Para o mercado, o dado pavimenta o caminho para que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie um ciclo de afrouxamento monetário já na reunião de agosto, com um corte estimado de 0,25 ponto percentual na taxa Selic.
Esse cenário de alívio no custo do dinheiro impulsionou as ações de empresas mais dependentes de crédito e consumo, que costumam sofrer mais em tempos de juros elevados. A melhora de humor também foi sustentada pela queda nas taxas dos contratos de juros futuros. Esse recuo das taxas futuras ganhou força após o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, admitir a possibilidade de novas intervenções do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos, sinalização que ajudou a conter as pressões de alta nos prêmios de risco.
No câmbio, o real acompanhou a onda de valorização das divisas de países emergentes frente a um dólar enfraquecido no exterior. A moeda americana encerrou o dia em queda de 0,76% (recuo de R$ 0,04), cotada a R$ 5,168. O movimento praticamente zerou a alta acumulada na semana, que fechou com variação positiva de apenas 0,03%. No acumulado do ano, o dólar registra desvalorização de 5,83% em relação à moeda brasileira.
A perda de força global do dólar também é herança de dados mais brandos sobre o mercado de trabalho norte-americano, divulgados na véspera, que reduziram os temores de uma postura ainda mais rígida por parte do Federal Reserve. O índice DXY, que mede a força da divisa norte-americana frente a uma cesta de moedas fortes, operou perto da estabilidade durante a sessão, evidenciando que os investidores preferiram não assumir grandes posições antes da divulgação dos próximos indicadores de inflação nos Estados Unidos.











