Brasília (DF) – A fatia das transações comerciais brasileiras beneficiadas por vantagens tarifárias dará um salto expressivo nos próximos anos, passando dos atuais 12% para 31%. Esse avanço é o resultado prático da ratificação de dois novos tratados internacionais firmados pelo Mercosul, que começam a vigorar após a conclusão definitiva dos trâmites internos por parte do governo brasileiro. Os documentos chancelam a parceria comercial com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e com Singapura, estabelecendo novos parâmetros para a circulação de bens e serviços.
A consolidação dos termos foi confirmada nesta quinta-feira (2) de forma conjunta pelos ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Com os trâmites nacionais finalizados, os instrumentos de ratificação foram entregues em 30 de junho ao governo do Paraguai, país que exercia a presidência temporária do Mercosul na data do depósito. No caso do pacto com os europeus, a documentação segue agora para o governo da Noruega, designado como depositário oficial.
Integração com o mercado europeu
A aproximação com a EFTA, bloco econômico que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, abre as portas de um mercado consumidor altamente qualificado, composto por mais de 280 milhões de pessoas na soma dos dois blocos. Sob as novas diretrizes comerciais, o Brasil passa a contar com livre acesso tarifário para quase 99% do valor de tudo o que exporta para o grupo de países europeus. Trata-se de uma consolidação estratégica para uma rota comercial que registrou uma movimentação de US$ 7,8 bilhões ao longo do ano de 2025.
Parceria inédita com o Sudeste Asiático
Do outro lado do globo, a parceria estabelecida com Singapura carrega um ineditismo histórico relevante, figurando como o primeiro tratado de livre comércio assinado pelo Mercosul com uma nação pertencente ao Sudeste Asiático. O impacto desse acerto será sentido diretamente na balança comercial a partir de 1º de agosto, data em que todas as exportações brasileiras destinadas ao parceiro asiático passarão a contar com tarifa zero de importação.
A relação bilateral entre o Brasil e Singapura já vinha apresentando forte dinamismo mesmo antes da eliminação das barreiras alfandegárias. No ano passado, o comércio total entre as duas nações somou US$ 10,7 bilhões. O resultado final gerou um saldo amplamente positivo para o mercado brasileiro, que acumulou um superávit de US$ 4,1 bilhões. Esse fluxo de vendas foi liderado principalmente pelo envio de óleos combustíveis, máquinas, equipamentos e carnes.
A entrada em vigor desses novos pactos comerciais, combinada com os efeitos futuros do acordo com a União Europeia, desenha um novo cenário de inserção global para as empresas brasileiras. Ao garantir regras estáveis e custos tributários reduzidos em mercados tão dinâmicos, o país busca assegurar fatias importantes no comércio internacional.







