Quixeramobim (CE) – O cenário da logística nordestina ganha contornos mais definidos com a entrega de um novo trecho da Transnordestina. Nesta quinta-feira (2), a marca de 82% de execução física foi atingida na ligação ferroviária que une o interior piauiense ao litoral cearense. A cerimônia, realizada em Quixeramobim, contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador do Ceará, Elmano de Freitas.
A expansão recente soma pouco mais de 100 quilômetros de trilhos entre Acopiara e Quixeramobim. Ao discursar durante o evento, o presidente Lula reforçou a relevância estratégica da obra para a dinâmica econômica da região. O projeto, que se consolida como a maior iniciativa de infraestrutura linear em solo brasileiro, totalizará 1.206 quilômetros quando finalizado. A rota completa conectará Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, no Ceará, serpenteando por 53 municípios e incluindo uma passagem estratégica por Salgueiro, no oeste de Pernambuco.
Dados do Ministério dos Transportes confirmam que 777 quilômetros de infraestrutura já estão prontos. O cronograma oficial projeta a entrega da totalidade dos 1,2 mil quilômetros até o término do próximo ano. O aporte financeiro para viabilizar esse esforço está estimado em R$ 15 bilhões, com R$ 9,8 bilhões efetivamente investidos até março de 2026.
A movimentação logística ganhou um reforço adicional com a entrega de 100 vagões graneleiros, projetados para otimizar o escoamento de grãos e fertilizantes. A produção de outras 370 unidades já foi confirmada. Paralelamente, o dia foi marcado por avanços regulatórios e de expansão: houve a assinatura da ordem de serviço para o Ramal Nelog, que conectará a ferrovia ao Terminal de Uso Privado (TUP) Nelog, dentro do Complexo do Pecém. O horizonte de investimentos privados também se ampliou com o protocolo de intenções para o Porto Seco de Quixeramobim, um projeto de R$ 1 bilhão voltado a impulsionar o setor industrial local.
A história dessa ferrovia, contudo, é marcada por desdobramentos complexos. O plano original, traçado há duas décadas, incluía um braço de 500 quilômetros que partiria de Salgueiro em direção ao Porto de Suape, na região metropolitana do Recife. Esse segmento foi excluído do escopo durante a gestão federal anterior. Atualmente, a viabilização de qualquer contratação para essa conexão pernambucana permanece travada por uma determinação do Tribunal de Contas da União (TCU).










