Lima, Peru – O cenário político peruano encontrou seu desfecho nesta segunda-feira (29), quando a contagem oficial das urnas atingiu a marca de 100%. Com 50,135% da preferência do eleitorado, Keiko Fujimori, representante do conservador Fuerza Popular, assegurou a vitória no segundo turno das eleições presidenciais. O anúncio ocorreu 22 dias após a ida às urnas, encerrando um período de suspense numérico que deixou o país em compasso de espera.
O adversário de Keiko, Roberto Sánchez, do partido esquerdista Juntos por el Perú, alcançou 49,865% dos votos. Em números absolutos, a diferença foi de 9.233.396 votos para a vencedora contra 9.173.755 do candidato derrotado. Embora os dados estejam consolidados, a confirmação definitiva do pleito ainda depende de uma proclamação formal por parte do Jurado Nacional Eleitoral (JNE).
A trajetória da apuração foi marcada por uma oscilação dramática. Keiko iniciou o processo na dianteira, viu Sánchez virar o placar em determinado momento e, na reta final, reassumiu a ponta. Já na quarta-feira passada, dia 24, as projeções matemáticas tornaram-se irreversíveis, cravando a vitória da filha do ex-ditador Alberto Fujimori diante da impossibilidade de superação pelo opositor.
Apesar da conclusão da contagem, o clima nos bastidores permanece tenso. Roberto Sánchez já antecipou que não pretende reconhecer o resultado das urnas. O candidato da esquerda alega irregularidades no processo e moveu um recurso judicial buscando a anulação de votos computados no exterior, além de insistir em uma recontagem que, segundo o entendimento jurídico vigente, enfrenta barreiras para ser atendida.
A vitória marca o início de uma nova fase para o Palácio do Governo em Lima. Keiko sucederá o atual presidente interino, José María Balcázar Zelada, que esteve à frente da nação pelos últimos quatro meses. A sucessão ocorre em um contexto de fragilidade institucional aguda; o Peru atravessa uma crise crônica de governabilidade, tendo acumulado nove presidentes na última década.
Resta agora saber como a nova gestão lidará com um país cindido e sob a sombra de contestações judiciais. A transição de poder, para além dos números, terá o desafio de conter a polarização que tomou conta do debate público e garantir que a instabilidade que marcou os anos recentes não se prolongue durante o novo mandato. O Peru olha para o futuro, ainda digerindo a margem apertada que definiu o próximo capítulo de sua história republicana.






