Serra (ES) – Cinco dias após os dois fortes tremores que atingiram a Venezuela, o cenário de devastação ganha contornos ainda mais dramáticos com a atualização das perdas humanas. O total de mortes confirmadas subiu para 1.719 nesta segunda-feira (29), de acordo com dados divulgados por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. O impacto na saúde pública é imenso: pelo menos 5 mil pessoas estão feridas e cerca de 12 mil necessitaram de assistência médica desde a última quarta-feira.
Embora a mobilização internacional comece a chegar ao território venezuelano, a ajuda enfrenta gargalos severos de logística. A maior parte do suporte estrangeiro e das equipes de salvamento concentra-se em La Guaira, o estado litorâneo mais castigado pela tragédia. Essa centralização deixa bolsões de isolamento em outras partes do país.
O isolamento nas montanhas
Em El Junquito, uma comunidade montanhosa a cerca de 30 quilômetros a oeste de Caracas, o sentimento é de abandono. Sem a presença de equipes oficiais de resgate, a sobrevivência local depende do amparo comunitário. São os próprios agricultores e moradores que dividem mantimentos e organizam a distribuição de itens básicos. A vizinhança aguarda a remoção dos escombros e a vistoria de engenheiros nas moradias que ainda continuam de pé.
Até o momento, a resposta global envolveu o apoio de 24 nações. O Brasil está entre os parceiros que enviaram ajuda humanitária. No total, o país recebeu mais de 500 toneladas de suprimentos, além de um contingente de 2,7 mil especialistas em resgate e 86 equipes equipadas com cães farejadores.
Instabilidade constante e resgate histórico
A terra, no entanto, recusa-se a ficar firme. Na madrugada desta segunda-feira, um novo tremor secundário de magnitude 4,6 foi registrado ao norte de Caracas, a uma profundidade de 10 quilômetros. De acordo com Jorge Rodríguez, esse abalo específico não resultou em danos imediatos, mas serviu para manter a população sob constante estado de alerta.
No meio do rastro de destruição, um resgate histórico trouxe um raro momento de alento em La Guaira. Um jovem de 21 anos foi retirado vivo das ruínas de um edifício que colapsou. Ele permaneceu sob toneladas de concreto por longas 106 horas.
A complexa operação para salvá-lo exigiu 43 horas de trabalho ininterrupto, unindo especialistas da Venezuela, do México e de El Salvador. O sucesso da missão foi celebrado pelo presidente salvadorenho, Nayib Bukele, e detalhado pela vice-presidente executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez, como um símbolo de resistência humana diante da catástrofe.







