Rio de Janeiro (RJ) – Uma nova remessa de socorro partiu da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, na tarde deste sábado (27), com destino à Venezuela. O governo brasileiro despachou o terceiro voo em uma operação emergencial, enviando desta vez kits de medicamentos de urgência e um módulo complementar para a montagem de um hospital de campanha. A logística foi ordenada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como parte do compromisso brasileiro no esforço internacional de apoio ao país vizinho, que tenta se reerguer após a sequência de terremotos registrados na última quarta-feira (24).
A carga transportada carrega itens básicos para o suporte de vida imediato. O carregamento inclui antibióticos, analgésicos e anti-inflamatórios, além de materiais como ataduras, gazes, luvas, máscaras e dispositivos necessários para infusões e procedimentos injetáveis. Ao todo, o plano prevê o envio de cinco kits completos de calamidade, totalizando 111,8 mil unidades entre insumos e remédios.
A estimativa técnica aponta que esse aporte é suficiente para garantir o atendimento de aproximadamente 1.500 pessoas ao longo de trinta dias. Para tranquilizar a população interna, a administração federal assegurou que a doação não causa desabastecimento nas prateleiras do SUS, mantendo a estabilidade dos estoques para o público brasileiro.
A ofensiva de auxílio começou a ganhar tração ainda no final da sexta-feira (26), quando o primeiro avião da Força Aérea Brasileira pousou às 23h40, no horário de Brasília, na Base Militar El Libertador, em Maracay. Aquele voo inicial focou na chegada de especialistas: médicos, socorristas e cães farejadores — força-tarefa essencial para a busca de sobreviventes sob escombros. Horas antes do voo desta tarde, uma segunda aeronave já havia deixado o solo carioca transportando a estrutura principal do hospital de campanha e equipamentos de purificação de água, essenciais para evitar a propagação de doenças em zonas de desastre.
A operação, montada em pouco tempo, reflete uma tentativa de estabelecer um corredor logístico rápido entre as bases militares dos dois países. Enquanto a ajuda aérea flui, as equipes de solo já concentram esforços na instalação dos purificadores e na organização das unidades de saúde que deverão receber o fluxo de feridos nos próximos dias. A pergunta que resta, agora, é sobre a capacidade de sustentação desse atendimento à medida que os escombros dão lugar a necessidades de reabilitação a médio prazo.





