Cachoeiro do Itapemirim (ES) – O setor de fabricação de alimentos sustentou o posto de maior empregador da indústria brasileira em 2024, alcançando a marca de 2,1 milhões de trabalhadores. O volume é parte de um universo de 8,7 milhões de pessoas que atuam em 358,4 mil companhias industriais espalhadas pelo território nacional. O cenário reflete a dependência produtiva do país em relação a esse segmento, que não apenas absorve a maior fatia da mão de obra, mas dita o ritmo de diversas economias regionais.
Ao analisar a composição do mercado, outras áreas também surgiram como pilares fundamentais, ainda que em escala menor. A confecção de vestuário e acessórios, por exemplo, ocupou 551,8 mil profissionais. Logo atrás, o segmento de produtos de metal somou 517,1 mil ocupados, seguido pela indústria automotiva e de reboques, com 491,9 mil pessoas.
No quesito financeiro, os números revelam a robustez do parque industrial nacional. A receita bruta total atingiu R$ 8,8 trilhões em 2024. Após as deduções de impostos e encargos, a receita líquida de vendas fechou em R$ 6,8 trilhões. Desse montante, uma parcela significativa de R$ 2,6 trilhões compôs o chamado Valor de Transformação Industrial, métrica que traduz a riqueza gerada pela atividade de fabricação dentro das empresas.
A concentração de renda, porém, é um ponto de desequilíbrio persistente. As indústrias de grande porte, com pelo menos 500 funcionários, concentraram quase 68% da receita líquida nacional. Esse abismo contrasta com a miríade de pequenas e microempresas que, embora numericamente relevantes no tecido industrial, detêm fatias bem mais modestas do faturamento. No total, a massa salarial distribuída em todos esses negócios chegou a R$ 481,1 bilhões.
A distribuição geográfica segue padrões históricos. O Sudeste mantém uma liderança absoluta, concentrando 60,3% da riqueza gerada pela indústria. São Paulo aparece como o protagonista isolado, detendo 34,5% do Valor de Transformação Industrial. O Rio de Janeiro, fortemente impulsionado pelo setor de petróleo e gás, garantiu 12,8%, enquanto Minas Gerais ficou com 10,8%. Entre as regiões, o Sul surge como o segundo polo de relevância, com uma estrutura diversificada que transita entre o setor metalmecânico, moveleiro e o processamento de alimentos.
O comportamento do Amazonas ilustra uma singularidade dentro do levantamento. É o único estado onde a fabricação de itens de informática e eletrônicos lidera o valor industrial, um reflexo direto do modelo instalado na Zona Franca de Manaus. Enquanto isso, o Centro-Oeste reforça seu perfil voltado ao agronegócio e biocombustíveis, com Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ganhando protagonismo na balança produtiva.
O nível de remuneração também varia drasticamente conforme a atividade. Enquanto a média geral da indústria foi de três salários mínimos, o setor de extração de petróleo e gás elevou essa média para 17,5 salários mínimos por trabalhador. Já no ramo de fabricação de coque e derivados de petróleo, a média ficou em 7,9 salários.
O processo de levantamento desses dados, publicado apenas agora, exige um cronograma longo. As empresas precisam encerrar o exercício fiscal no final de dezembro, para que a coleta e a crítica dos números ocorram ao longo dos meses seguintes. Por conta de ajustes metodológicos, a série atual é tratada como um marco isolado, sem comparações diretas com anos anteriores, servindo como uma radiografia precisa da estrutura industrial brasileira no momento da pesquisa.









