Serra (ES) – O senador Eduardo Girão, do Novo do Ceará, subiu à tribuna do Plenário nesta quarta-feira, dia 17, para comentar o recente desfecho na segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A corte votou pela manutenção das prisões preventivas de Henrique e Felipe Vorcaro — pai e primo, respectivamente, do empresário Daniel Vorcaro —, figuras centrais na investigação que apura irregularidades no Banco Master.
A fala do parlamentar serviu como um aceno direto aos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Para Girão, a condução do julgamento e o trabalho minucioso da Polícia Federal são pontos de inflexão necessários para o desenrolar do inquérito. Em um momento de distensão, o senador relembrou o histórico de atritos com Nunes Marques. Ele admitiu que, após votar contra a indicação do magistrado à época da sabatina, encontrou na decisão desta semana o primeiro motivo real para rever sua postura.
“Se eu tivesse errado com o meu voto, eu iria pedir desculpas”, afirmou Girão aos demais senadores. O parlamentar ponderou que, embora acumule críticas a diversas decisões anteriores do ministro, desta vez o voto pautado pelo bom senso merecia o reconhecimento público. A manutenção das prisões, na visão do senador, é vital para que as investigações sigam seu curso natural, especialmente diante de indícios que apontam para a existência de um grupo articulado com o objetivo de intimidar testemunhas e acessar indevidamente dados sigilosos.
Apesar do tom conciliador em relação à maioria da turma, o senador não poupou críticas ao ministro Gilmar Mendes, responsável pelo voto divergente durante a sessão. Para Girão, o caminho traçado pelo restante do colegiado é o único que garante a integridade das apurações em curso.
Conflito entre Poderes
Aproveitando a temática do Judiciário, o parlamentar ampliou o espectro da crítica para o que chamou de interferência indevida nas atribuições do Congresso. Ele atacou diretamente a suspensão da Lei da Dosimetria, de número 15.402, aprovada pelos parlamentares após a derrubada do veto presidencial no início de 2026. Segundo Girão, o Judiciário atropelou o rito democrático ao invalidar uma norma construída pela casa legislativa.
O senador classificou esse tipo de interferência, especialmente quando ocorre por meio de decisões monocráticas, como um desrespeito frontal à separação de Poderes. O discurso caminhou para uma defesa contundente de um maior equilíbrio institucional, que ele considera essencial para o funcionamento saudável da democracia.
Ao encerrar sua fala, Girão insistiu que a pacificação do país não pode ser apenas um conceito abstrato ou retórica vazia. Para ele, o Brasil precisa de ações concretas dentro da Justiça para atingir a estabilidade política almejada. Paz, segundo o senador, não combina com omissão, mas sim com a atuação firme e respeitosa entre as instituições.













