Rio de Janeiro (RJ) – O Largo de São Francisco, no coração do Rio de Janeiro, viu parte de seu acervo histórico retornar ao altar nesta semana. Dois tocheiros sacros, que pertenciam à Igreja da Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula, foram devolvidos pela Polícia Federal após um processo de investigação sobre o comércio irregular de itens tombados.
A história desses objetos tomou um rumo inesperado quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) identificou que itens com marcas características do patrimônio daquela igreja estavam sendo oferecidos em um leilão. O alerta foi imediato. A partir dessa notificação, o caso caiu sob os cuidados da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico.
Como os tocheiros chegaram ao mercado de leilões? Essa é a peça que completa o quebra-cabeça da investigação. Os agentes precisaram localizar o lote específico para garantir que as peças não fossem dispersas ou escondidas por colecionadores. Uma vez localizados, os objetos foram apreendidos e submetidos a uma bateria de análises técnicas rigorosas.
Não se tratava de simples adornos decorativos, mas de peças que compõem o arcabouço artístico e cultural de uma das construções mais tradicionais da capital fluminense. O valor desses artefatos vai muito além do material utilizado em sua confecção; eles carregam um peso de história sacra que, por lei, deve permanecer sob guarda institucional ou religiosa.
Após a confirmação da origem e o encerramento dos procedimentos periciais, a Polícia Federal oficializou a entrega dos tocheiros aos responsáveis pelo templo. O episódio serve de alerta para o mercado de antiguidades sobre a fiscalização cada vez mais ativa de bens que, pelo seu valor histórico, nunca deveriam ter deixado o ambiente original para o qual foram destinados séculos atrás.












