Baixo Guandu (ES) – O bolso dos brasileiros voltou a sentir o peso da feira no mês passado, empurrando o custo de vida para além dos limites planejados. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou maio com alta de 0,58%, acumulando 4,72% em 12 meses. Os dados oficiais, divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acendem um alerta ao ultrapassar o teto de tolerância da meta inflacionária.
Pelas regras do Conselho Monetário Nacional (CMN), o centro da meta de inflação é de 3%, permitindo uma oscilação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso fixa a barreira máxima tolerada em 4,5%. Desde o início de 2025, o acompanhamento dessa meta mudou: a avaliação considera o acumulado dos últimos 12 meses móveis, e não mais o ano fechado. O descumprimento oficial só se consolida se a taxa permanecer fora da banda por seis meses seguidos. A última vez que o indicador esteve além do limite aceitável foi em outubro de 2025, quando marcou 4,68%.
Embora o dado de maio aponte para uma desaceleração se comparado aos meses anteriores — vindo de 0,67% em abril e 0,88% em março —, ele superou as previsões do mercado financeiro. Na última segunda-feira (8), o Boletim Focus, do Banco Central, estimava uma taxa menor para maio, de 0,48%. Para o encerramento de 2026, os analistas estimam que o índice termine em 5,11%.
A trajetória do indicador ao longo do ano mostra um comportamento volátil. Em janeiro, a taxa começou em 0,33%, saltou para 0,70% em fevereiro, atingiu o pico de 0,88% em março e iniciou uma trajetória de recuo lento, registrando 0,67% em abril até atingir os atuais 0,58% em maio.
O peso da mesa
O principal vilão do orçamento doméstico foi o grupo de alimentação e bebidas, que registrou uma alta expressiva de 1,33% no mês. Sozinho, esse segmento foi responsável por metade de toda a inflação de maio, gerando um impacto de 0,29 ponto percentual. Alguns itens cotidianos dispararam: a batata-inglesa liderou a pressão com um salto de 44,69% (impacto de 0,09 p.p.), seguida pelo tomate, que subiu 20,62% (0,06 p.p.). As carnes também ficaram mais caras, com alta de 1,39% (0,04 p.p.), enquanto a cebola subiu 16,80% (0,02 p.p.).
Preços espalhados e o papel dos serviços
O encarecimento não ficou restrito a poucos produtos. O índice de difusão revelou que 65% dos 377 itens e serviços monitorados pelo levantamento de preços ficaram mais caros em maio. No detalhamento dos setores, o grupo de serviços — cujos preços costumam reagir de forma mais direta ao nível de atividade econômica e aos movimentos da taxa básica de juros (Selic) — registrou variação de 0,40% no mês, somando 5,97% em 12 meses. Já os preços monitorados por contratos e combustíveis subiram 0,43% em maio, acumulando 5,85% no período de um ano.
O IPCA reflete o custo de vida de famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos. A coleta de preços ocorre mensalmente nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém e Vitória, além do Distrito Federal e das capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.











