A justiça de Israel determinou, nesta terça-feira, a extensão por mais seis dias da prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abukeshek. Segundo informações da ONG de direitos humanos Adalah e da flotilha Global Sumud, os dois permanecerão detidos até o próximo domingo, às 9h, após uma audiência judicial que manteve as restrições de liberdade contra a dupla.
Argumentos da defesa e acusações
As advogadas responsáveis pelo caso sustentam que não há fundamentos ou evidências que justifiquem a manutenção da custódia. Durante o processo, a defesa argumentou que o envio de ajuda humanitária por meio de uma flotilha não possui qualquer vínculo com organizações classificadas como terroristas por Israel. Além disso, os representantes legais pontuaram que a legislação israelense não deveria ser aplicada, dado que os ativistas foram interceptados em águas internacionais, a mais de mil quilômetros de Gaza, e não possuem cidadania israelense.
Apesar das contestações, o magistrado responsável manteve a detenção baseando sua decisão em provas sigilosas, que não foram compartilhadas com os advogados dos acusados. O episódio teve início na última quarta-feira, quando embarcações da missão humanitária foram abordadas por forças israelenses próximo à Grécia. Após a interceptação, Ávila e Abukeshek foram transferidos para uma unidade prisional em Askalan, onde, segundo relatos, teriam sofrido episódios de violência física e tortura.
Posicionamento diplomático
O Itamaraty confirmou que a embaixada do Brasil em Tel Aviv acompanha o caso de perto, realizando visitas consulares e monitorando as audiências judiciais para garantir assistência ao cidadão brasileiro. O governo brasileiro, em conjunto com a Espanha, emitiu uma nota oficial condenando a abordagem em águas internacionais e classificando a retenção dos ativistas como uma violação do direito internacional, exigindo a liberação imediata de ambos.
Enquanto a situação jurídica permanece incerta, uma campanha internacional ganha força nas redes sociais, buscando mobilizar cidadãos do Brasil, da Espanha e da Suécia para pressionar as autoridades israelenses pela soltura dos detidos. O contexto regional permanece crítico, com o Ministério da Saúde de Gaza reportando um saldo de mais de 72 mil mortos e 170 mil feridos desde o início do conflito, em outubro de 2023.









